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Cidades

Brasiliense entre o isolamento e as viagens

A pandemia impõe um Natal sem grandes confraternizações. Mas tem quem se arrisque a viajar para estar com a família

Pedro Marra

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Tradicionalmente uma festa para reunir a família e confraternizar com amigos, o Natal desse ano deve ser de isolamento, videochamadas e pequenas reuniões íntimas por causa da pandemia do novo coronavírus.

Apesar de vacinas estarem em fase final de testes pelo mundo, alguns brasilienses preferem se manter isoladas em casa para garantir a saúde de parentes, mas outros pretendem se arriscar a viajar neste período. O Jornal de Brasília ouviu moradores da capital para saber quais opções irão tomar para manter o contato com a família no Natal e Ano Novo.

Morador de Ceilândia, o estudante de História da Universidade de Brasília (UnB), Marcos Santos, 23 anos, é um dos que pretende ficar em casa durante as datas comemorativas. Ele, que mora com os pais, vai tentar suprir a ausência dos parentes com o uso da tecnologia.

“A gente está bem desanimado com esse Natal porque, sem a possibilidade de poder encontrar outros familiares, minhas avós e minhas tias, vai ser bem tenso. Estamos pensando em fazer uma chamada de vídeo para ‘encontrar’ essas pessoas de maneira segura. Até porque, aqui em casa, a gente já pegou o novo coronavírus. Então temos que cuidar da saúde dessas pessoas”, opina o jovem.

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Um levantamento da empresa de softwares InLoco mostrou que o índice do distanciamento em Brasília está em 40%, taxa semelhante ao do dia 1º de março, quando o DF tinha apenas suspeitas da doença e nenhuma confirmação. Para se ter uma ideia, o maior índice de isolamento social medido pela companhia ocorreu em 22 de março, momento em que o DF chegou à taxa de 65,6% da população que ficou em casa.

“Por isso, é preciso ter uma relação de cuidado. O sentimento que representa o Natal e o Ano Novo neste ano vai ser esse. Cuidado com as pessoas que ainda não pegaram a doença. É mais pensando nessa empatia que a gente tem com essas pessoas, e de proteção. Até para evitar que elas sejam infectadas nessas festas de fim de ano, e que não chegue a segunda onda [de casos]”, afirma Marcos.

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Já o técnico em enfermagem Igor Ribeiro, 41 anos, pretende passar o Réveillon com o noivo, Heberton Pascoal, 27, no apartamento de dois amigos em Florianópolis-SC. O morador de Sobradinho irá encarar a viagem mesmo com medo de infecção no caminho. “Embora as companhias aéreas falam que estão utilizando filtros HEPA (que renova o ar a cada 3 minutos) existe um risco devido ao fato de estarmos confinados com pessoas desconhecidas, que muitas vezes insistem em não seguir as recomendações dos comissários”, preocupa-se.

No Natal, o enfermeiro escolheu passar em casa, mas tendo contato à distância com os familiares. “Não dá para passar com meus pais, uma vez que eles são do grupo de risco. Na hora da ceia, meus pais, eu e meus irmãos teremos uma ‘chamada de Natal’.

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“Não ter reunião familiar é opção segura”

O assessor em diretoria de banco, Guilherme Borges, 36 anos, mora sozinho na Asa Norte, e irá passar o Natal e Réveillon em João Pessoa-PB, onde os pais moram.

“Sinto um certo receio de contrair a covid-19 em aviões e aeroportos por serem locais de risco. Preferi comprar voos diretos por serem mais curtos e diminuir o risco de contágio”, esclarece.

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Guilherme conta que era comum ele participar de reunião com muitos familiares. “Esse ano, na minha família, está claro que devemos evitar reuniões com muitas pessoas. Tentamos preservar principalmente os mais velhos, avós e tios”, acrescenta.

O Governo do Distrito Federal (GDF) reforça as normas de segurança para combater a disseminação do vírus em Brasília por conta de uma possível segunda onda de casos. “É impossível dizer se teremos segunda onda no DF sem um inquérito epidemiológico mais forte, sem testagem em massa”, declarou o secretário de Saúde do DF durante apresentação do “Plano Estratégico de Combate ao Coronavírus no Distrito Federal – Ações de Enfrentamento 2020-2021”, no último dia 10 de novembro.

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Durante reunião virtual em Genebra, sede da Organização, a líder técnica da entidade, Maria Van Kerkhove, comentou sobre o assunto. “Em algumas situações, a difícil decisão de não ter uma reunião familiar é a aposta mais segura”, declarou.

Medidas de proteção

Na opinião da professora de doenças infecciosas da Universidade de Brasília (UnB), Valéria Paes, a sociedade deve seguir adotando as medidas de proteção contra o novo coronavírus para evitar uma segunda onda em massa de casos diários da doença.

“Compreendo que passamos por um período de confinamento muito grande e é necessário que as atividades econômicas retornem. O mais importante é a população saber que, mesmo com a retomada de vários serviços, é ainda mais fundamental que as pessoas adotem as medidas de proteção. A minha impressão é de que a possibilidade da segunda onda e o aumento ao número de casos vai depender da adesão das pessoas às recomendações. O que tem me deixado muito procurada é que as pessoas estão relaxando”, analisa a infectologista.

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“Um conhecimento que a gente adquiriu durante esse período é que essas medidas de proteção funcionam. Por mais que seja desconfortável usar uma máscara, é isso que vai evitar uma segunda onda.

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Vejo que estamos em um momento de escolha da sociedade para o que queremos vivenciar daqui a alguns meses com relação à pandemia. O melhor é escolher maior segurança ao invés de ver alguém dizer que não aguenta mais usar máscara, por exemplo”, pontua Valéria, que também é coordenadora

Por fim, Valéria destaca que as pessoas que contraíram o vírus podem testar positivo novamente, mas são casos raros. “Temos informações muito preliminares, e aparentemente a reinfecção não é muito frequente após o primeiro episódio. Agora que estamos acompanhando o primeiro ano, mas não temos ideia de como isso irá ocorrer a longo prazo. De qualquer forma, pode se observar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde não fazem nenhuma diferenciação do tipo”, orienta a especialista.




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