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Bancos de leite entram em estado de alerta

Com queda de cerca de 20% de doações nos últimos meses, bancos de leite no DF estão com estoques abaixo do ideal

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em

Foto: Agência Brasília
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Lucas Neiva e Ciça Souza
[email protected]

Entre os meses de junho e agosto, o estoques de leite materno disponíveis no Distrito Federal caíram de 1.917 litros para 1.494 litros. A quantidade necessária para atender a demanda mensal de leite materno nos hospitais do DF é de 1.500 litros, que atendem uma demanda diária de 9 litros. Os bancos de leite pedem ajuda para suprir a falta nos estoques. As doações podem ser feitas em casa, solicitando ao Corpo de Bombeiros o recolhimento do leite a ser doado.

O leite materno é a única fonte de alimento para os bebês internados em UTI, principalmente os prematuros. “O leite humano é considerado pela medicina como o padrão ouro de alimentação para essas crianças. Além de garantir o crescimento, ele é o que vai permitir com que elas desenvolvam imunidade”, explica a pediatra e coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF Miriam Santos.

Miriam afirma que as doações de leite materno aumentaram nos primeiros meses da pandemia no Brasil, fato que ela acredita ser resultado do isolamento social de mais mulheres grávidas, que passaram a ter mais tempo disponível para a doação. Em junho, os estoques chegaram perto do máximo, de 2.000 litros. Mas desde então as doações despencaram a ponto de criar alerta nos bancos de leite.

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Cooperação de todas

Mãe de um bebê de 5 meses, Karine Matos, 34, teve que enviar seu filho para a semi-UTI em função do parto prematuro, que ocorreu em uma fase em que o bebê ainda não sabia sugar o leite. “Eu acho muito importante a existência do banco de leite para os bebês prematuros e principalmente para as mamães de primeira viagem, já que não temos experiência em amamentar”, afirma.

Ela relata ainda que as orientações recebidas no banco de leite foram fundamentais para ela perceber que seu bebê não estava ganhando peso. “Eu achava que meu bebê estava fazendo a pega correta, mas ele não estava. Se não fossem as orientações das assistentes de aleitamento do banco de leite do Hospital Regional de Taguatinga, ele continuaria perdendo peso”, narra.

A professora, Jade Santos, 22, doa leite materno semanalmente há 2 meses. Ela conta que se sente cumprindo um papel social importante e que não tem nenhum receio ou dificuldade em fazer a doação. “Sempre quis doar, mas o que impulsionou o ato foi a maternidade em si, saber que várias mães não conseguem amamentar seus bebês.(…) Leite materno é alimento e amor”. Ela também aponta a importância da participação de todas as mães em campanhas de doação. “A gente nunca sabe o dia de amanhã. Hoje eu dôo, amanhã posso precisar de doação”.

Como doar

A doação de leite pode ser feita por qualquer lactante independente da idade da mãe ou da criança. Mães que tenham tido covid-19 também podem doar após o 14º de isolamento. Para isso doar, é preciso encher de leite um pote de vidro com tampa de plástico. O seio deve ser higienizado com água, as mãos e braços com água e sabão. Deve-se também usar touca e máscara durante o processo, que não requer pressa: até o pote ser preenchido, pode ser guardado tampado no congelador.

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Mães que não possuam o kit podem solicitar um dos bancos de leite, com a distribuição e entrega gratuitas. O leite pode ser entregue diretamente nos postos de coleta ou recolhido pelo Corpo de Bombeiros Militar. Para solicitar o recolhimento ou tirar dúvidas sobre a coleta, pode-se ligar para o telefone 160 opção 4 ou ligar diretamente para os postos de coleta, com os números disponíveis clicando aqui. “Cada 300ml de leite materno pode alimentar até 10 crianças por um dia”, reforça Miriam Santos.




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