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Autora de biografia de Maria Bonita prepara livro sobre Dercy

Além da biografia sobre Dercy, Adriana Negreiros desenvolve outro trabalho literário que terá como tema a violência contra a mulher

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Geovanna Bispo, Nathalia Guimarães e Milena Castro
Jornal de Brasília/Agência UniCEUB

Feminismo, literatura e reportagem em profundidade vão se encontrar novamente na nova obra da jornalista e escritora Adriana Negreiros. Depois do sucesso de Maria Bonita: sexo, violência e mulheres no cangaço (2018)a autora promete detalhar a vida de Dercy Gonçalves (1907 – 2008), a multiartista que viveu 101 anos e que marcou o seu nome como atriz, cantora, humorista e que mexia com a opinião pública. A obra está prevista para ser lançada em 2020.

“A Dercy Gonçalves é uma personagem fantástica. Ela experimentou a opressão que usualmente é colocada sobre a mulher, com ênfase na indústria de entretenimento. Ela começou no teatro de revista e morreu na ascensão da internet e das redes sociais. Assim, viveu toda a indústria de entretenimento e vivenciou isso como uma mulher, experimentando toda a violência”, afirma a jornalista.

Além da biografia sobre Dercy, Adriana Negreiros, que hoje vive na cidade de Porto (Portugal) desenvolve outro trabalho literário que terá como tema a violência contra a mulher. Os detalhes da obra (prevista para o ano que vem) ainda são guardados a sete chaves.

Maria Bonita

A vida de escritora ainda é uma novidade para a jornalista Adriana Negreiros, que nasceu em São Paulo, mas que logo na infância mudou-se com a família para Fortaleza, onde realizou a graduação em jornalismo e começou a carreira profissional.

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A biografia sobre Maria Bonita teve as primeiras apurações e escritos em 2015, quando entrou em contato com correntes feministas em sua segunda graduação (filosofia) e percebeu que se encaixava perfeitamente com sua vontade de falar sobre histórias não contadas com a profundidade merecida. A escritora achou esse caminho na história da cangaceira Maria Bonita. “Eu percebi que queria uma história sob uma perspectiva feminista e, ao mesmo tempo, queria contar uma história do Nordeste. A Maria Bonita foi um encontro ideal entre eles”, considera.

 “Hoje, ao olhar para a história dela ( Maria Bonita ), percebo que só é possível fazer tantas perguntas sobre essa história porque passamos pelo feminismo.”

No livro Maria Bonita – Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço, Adriana apresenta o papel das mulheres cangaceiras, tendo Maria Gomes de Oliveira, ou  Maria Bonita, como destaque. Para desvendar essas histórias do cangaço, repletas de interdições, preconceitos e de escassa documentação, ela explica que buscou desvendar os mistérios em torno da cangaceira para entregar um retrato mais fiel da questão.

“Quando comecei a trabalhar no livro, eu percebi que existiam mais mitos e lendas sobre a  Maria Bonita do que documentos de fato. Tanto que, embora a história seja centrada nela por ser a personagem mais importante, é muito mais um livro-reportagem sobre a participação das mulheres no cangaço”. Parte do interesse pela história também tem relação com a origem familiar, que é de Mossoró (RN), cidade em que, conforme se registra, resistiu à chegada dos cangaceiros.

Paixão pelo jornalismo em profundidade

Adriana Negreiros conta que as descobertas mudaram sua percepção quanto ao que escrevia antes, decidindo sempre abordar temáticas relacionada a mulheres em seus trabalhos. “Quanto mais escrevermos sobre mulheres, melhor. Existe uma lacuna de produções acadêmicas e jornalísticas sobre os trabalhos delas no Brasil. Devemos mostrar o trabalho pioneiro de muitas mulheres que influenciaram diversas esferas e tiveram uma grande importância para estarmos falando sobre esses temas hoje”.

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Adriana Negreiros considera que o jornalismo em profundidade é diferente e sedutor para os profissionais. Entre os motivos, é por não existir uma fórmula simples e única de realizá-lo. Mesmo que não exista receita, a jornalista Adriana Negreiros explica que existem pontos essenciais para a construção de grandes reportagens.  “Sou uma jornalista que publica livros, escreve reportagens em forma de livros”, Ela tem publicado grandes reportagens como colaboradora na Revista Piauí, e foi editora das revistas Veja, Playboy e Claudia. Jornalismo em profundidade é a prioridade dela nesse momento.

Mergulhos

“Mergulhar no assunto, pesquisar, encontrar novos enfoques… Para mim, o jornalismo só tem graça se fosse feito nesses termos”. Essa imersão e mergulho para contar histórias nos caminhos do jornalismo literário e interpretativo são os traços essenciais. Adriana Negreiros destaca que a paciência, o faro de repórter para encontrar novos ângulos de temas e assuntos, a capacidade de concentração e a vocação de pesquisador devem ser propriedades do profissional que deseja se desenvolver nessa área.

Além do mais, exalta que é inevitável que nossas questões pessoais não estejam presentes desde a escolha do entrevistado a escolha das palavras do texto. “Mas acho que é importante ter em mente que o personagem tem que ser tratado da forma mais objetiva possível, mais imparcial possível ainda que a objetividade e imparcialidade seja um mito”.

Para ela, uma opção honesta que o jornalista deve oferecer para o leitor é contar as diferentes versões e contextualizá-las, pois as versões contêm suas verdades, afirma Adriana Negreiros. Ela exemplifica que o primeiro encontro de Lampião e Maria Bonita não tem apenas uma versão. Por isso, ela resolveu apresentar diferentes perspectivas sobre o acontecimento. “É preciso que o jornalista tenha humildade para saber que nem tudo ele vai conseguir descobrir e que ele tem seus limites. É muito honesto e muito importante para o leitor perceber as limitações do repórter”.

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O futuro do jornalismo 

Adriana Negreiros é otimista sobre a possibilidade do jornalismo em profundidade ter mais espaço no mercado das publicações e também editoriais. Ela exemplifica que já existem iniciativas do jornalismo em profundidade em podcasts com pesquisas fortemente apuradas e que um novo olhar tem sido lançado sobre esse tipo de jornalismo, principalmente em decorrência de não haver uma dependência total dos jornais para a publicação desses conteúdos.

O cenário atual nos possibilita diversas plataformas e possibilidades de divulgação.“O jornalismo em profundidade nada mais é do que contar boas histórias. A única coisa que me interessa no jornalismo é contar histórias”. Para Adriana Negreiros, é importante que essas histórias sejam capazes de despertar o interesse e de nos fazer conhecer nosso país e nossa história.




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