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Após apreensão, serpente pode sofrer eutanásia por falta de soro antiofídico

Em nota, o Zoológico de Brasília explicou que a decisão de eutanasiar a víbora-verde-de-Vogel “é uma decisão exclusiva do Ibama”

João Carlos Magalhães Teles

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Após uma semana recheada de polêmicas a respeito do tráfico de animais silvestres no Distrito Federal (DF), mais um capítulo se desenha, dessa vez, no Jardim Zoológico de Brasília. Isso porque uma das 16 serpentes resgatadas pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Distrito Federal, a víbora-verde-de-vogel, cujo nome é Trimeresurus vogeli, corre o risco de sofrer eutanásia caso o soro antiofídico da espécie não esteja disponível na cidade, o que até o momento é a realidade. 

Por hora, a serpente ainda esta no serpentário do Zoológico, armazenada dentro da caixa em que foi capturada. A medida ocorre para a proteção da equipe já que o animal é venenoso e pode causar danos reais em um possível ataque, podendo levar um adulto a morte.  

Caso o soro não esteja disponível nem mesmo no Instituto Butantã, entidade responsável por armazenar os soros de diversas serpentes no Brasil,  trazer o químico de fora do país pode ser caro e inviável, diante a situação de pandemia. 

Em nota, o Zoológico de Brasília explicou que a decisão de eutanasiar a víbora-verde-de-Vogel “é uma decisão exclusiva do Ibama e, ao Zoo de Brasília, cabe somente acolher esses animais enquanto não há uma destinação final”.

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O Zoo também explicou que a transferência dos animais ou a decisão de tornar parte do plantel da instituição cabe também ao Ibama. 

“Do mesmo jeito que a transferência dos animais para outra instituição ou a decisão de fazer parte do plantel do Zoológico de Brasília também são possibilidades de destinação do Ibama para as serpentes”, diz a nota. 

O ex Diretor-presidente do Zoológico de Brasília, Érico Grassi, explicou ao Jornal de Brasília que mesmo que a serpente sofra a eutanásia ela servirá para estudos, não só para desenvolvimento do soro antiofídico, mas também para conhecimento da espécie. “Com certeza o retorno para ciência será grande”, disse.  

Grassi disse que o Ibama, quem deve ser responsável por tomar a decisão, considera algumas variáveis antes da eutanásia “Eu acredito plenamente na tomada de decisão e na opção técnica do Ibama. Antes de optar pela eutanásia eles vão considerar o valor da vida do animal e outras questões. Aonde tem o Soro? Quanto custa para trazer o Soro? O animal está em extinção em seu habitat natural? “, ponderou.

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Érico explicou que cada uma das serpentes apreendidas deve passar por uma avaliação diferente e que algumas espécies devem permanecer no Zoológico enquanto outras podem seguir outros rumos. 

“A gente precisa ver de onde elas são, se podem voltar pra la, se tem saúde pra isso, se estão em extinção, tudo isso faz diferença para decidir se elas vão ficar no zoológico ou vão para alguma universidade ou serão devolvidas para seu local de origem.” 

O outro lado

No dia 7 de julho o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por uma naja, uma das espécies de cobra mais venenosa do mundo e que não é natural do Brasil. 

Pedro tratava o animal silvestre como de estimação e após a mordida o estudante chegou a ficar em coma. Ele recebeu alta nesta segunda-feira (13) e não quis falar com a imprensa. 

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O acidente com o estudante revelou um esquema de tráfico de animais silvestres no Distrito Federal. 

Ainda na semana passada, na quinta-feira (9), a Polícia apreendeu mais 16 serpentes em um terreno, em Planaltina. Eram dez espécies exóticas, entre elas a víbora-verde-de-vogel, e outras seis cobras brasileiras. 

O estudante deve prestar depoimento a polícia para explicar a origem dos animais. 




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