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Adriana Villela é condenada

Adriana foi condenada a 67 anos de prisão em regime fechado pelo homicídio triplamente qualificado

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Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília
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Olavo David Neto e Vítor Mendonça
redacao@grupojbr.com

Depois de dez anos e após dez dias de Tribunal, Adriana Villela é condenada pelos jurados do Júri Popular. Após a análise de 23 quesitos, a ré foi imputada na tarde desta quarta-feira (2) por encomendar a morte dos pais, assassinados no dia 28 de agosto de 2009. Ela deverá cumprir 67 anos em regime fechado pelo homicídio triplamente qualificado.

Entre as sessões divididas entre debates, relatos de testemunhas e leitura de provas, foram mais de 100 horas de julgamento. Este é o mais longo da história do Distrito Federal e, segundo o juiz do Plenário, Paulo Giordano, “talvez o maior do Brasil”.

Adriana Villela foi condenada a 32 anos de reclusão pelo assassinato do pai, 32 pelo assassinato da mãe, 23 anos pelo assassinato da empregada e 3 anos e 6 meses por furto. No total, ela foi sentenciada a 67 anos e 6 meses em regime fechado.

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Villela vai recorrer à sentença em liberdade.

Embates

O procurador Maurício Miranda definiu Adriana como “uma mulher que gostava de dinheiro”. Para ele, resta comprovado que a arquiteta “não tinha ligação emocional com o pai, ela mesma disse.” Ele também assegurou que Adriana gastava muito dinheiro consigo, e dizia com frequência que providenciaria sua independência financeira. “No entanto, não tomou providências para tal, a não ser o recebimento da herança”, declarou o acusador. 

Ele também citou o álibi de Adriana no dia 28 de agosto de 2009, que, segundo ele, aponta falhas e janelas que a ré não conseguiu explicar. “Ela simplesmente não fala do que fez entre a tarde e à noite. Os horários que ela saiu da casa da amiga, na Vila Planalto, não batem com o depoimento dado por essa amiga em Natal (RN)”, disse o acusador, com breves participações do colega, Marcelo Leite. 

No momento da tréplica da defesa, Kakay insistiu nas críticas feitas à Coordenação de Crimes Contra a Vida. “A Corvida levou um ano para interrogar o Leonardo”, bradou o defensor de Adriana. Criticados pela acusação por se embasar em provas coletadas sob supostas irregularidades – como tortura, por exemplo -, o advogado de defesa negou. “Se teve tortura na 8ª DP, isso deve ser apurado. Mas deve-se perguntar: a 8ª prendeu a pessoa certa? O que me interessa é isso.”

Quanto à questão da vidente Rosa Maria Jacques, que coordenou informalmente os primeiros passos da investigação, quando a 1ª Delegacia de Polícia estava à frente das procuras, a defesa questionou a falta de ímpeto nas punições a Adriana, “se ela realmente estava envolvida.” “O MP denunciou a vidente, o marido, a martha e o agente, mas não denunciaram a Adriana. Por que?”, disse Kakay.

Ao final de sua fala, Kakay demonstrou forte emoção ao se referir à acusada. Olhando para ela, com a voz embargada, disse ter orgulho por ter trabalhado na defesa dela, mas que ela poderia ter atuado em causa própria. “Eu quero agradecer a você, Adriana, que me deu a oportunidade de fazer uma defesa técnica. Com todas as dificuldades. Peço desculpas pelo atraso [no julgamento], por ter me exaltado. Eu vou ser bem sucinto: a Adriana é inocente.”

Durante esta semana e a anterior, Adriana Villela era acusada e defendida por testemunhas trazidas pelas partes do processo. Coube ao MPDFT trazer as pessoas que levantariam provas contra a ré e, aos advogados de defesa, Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay, e Marcelo Turbay, aqueles que comprovariam o álibi da acusada. Foram 22 depoimentos a favor e 17 contra.

Na espera da decisão, Adriana chegou a meditar na cadeira em que estava sentada. Ela mostrou serenidade enquanto o Júri se reunia numa sala isolada do plenário para proferir o futuro da ré.

Momentos pós sentença

Maurício Miranda, procurador do MPDFT:

Ronei Silva, ex-presidente da cooperativa de catadores de lixo com a qual Adriana desenvolveu o projeto de mestrado:

Pedro Calmon, assistente da acusação


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