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Adasa decreta fim da situação crítica de escassez de água no DF

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Rafaella Panceri
rafaella.panceri@grupojbr.com

O Distrito Federal saiu da situação crítica de escassez de água, de acordo com informações da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa), divulgadas em coletiva de imprensa na sede do órgão nesta segunda-feira (17).

A decisão de suspender a situação crítica foi tomada em reunião da diretoria colegiada da Adasa, de acordo com o diretor-presidente do órgão, Paulo Salles. “Pelas nossas simulações, acreditamos que não teremos esse problema em 2019. Pode haver uma diminuição no volume dos reservatórios, mas esperamos que eles fiquem em um volume aceitável”, declarou.

O diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles Foto: Tony Winston/Agência Brasília.

A resolução será publicada no Diário Oficial (DODF) na próxima sexta-feira (21) — data em que a tarifa de contingência, cobrada pela Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) desde 2016, será extinta. O valor adicional, de até 40% da fatura, era pago por usuários com consumo maior que 10 m³ mensais.

Outras coisas mudam, na prática. Agricultores poderão captar água durante mais de seis horas por dia e voltarão a seguir o que está previsto em cada outorga de uso de água. Além disso, a Caesb está autorizada captar água do reservatório do Descoberto, desde que dentro dos limites da vazão média de 4,3 mil litros por segundo.

Apesar do cenário favorável, a Adasa recomenda que a população evite desperdício. A segurança hídrica é baseada em simulações e é passível de erros, porque depende do ciclo das chuvas. 

Usos do Lago
Além de decretar o fim do estado crítico de escassez hídrica, a Adasa definiu o nível adequado para garantir os usos múltiplos do Lago Paranoá por meio da Resolução nº 33, publicada no Diário Oficial nesta segunda-feira (17).

A norma estabelece a cota mínima do reservatório em 999,8 metros. O limite é de 1.080 metros. A redução é permitida em até 999,5 metros, caso as comportas da Barragem do Paranoá precisem ser abertas ou a camada superficial do espelho d’água passe por renovação.

Se for constatada redução acima do permitido, a Adasa poderá penalizar a CEB Geração S.A., subsidiária da Companhia Energética de Brasília (CEB). A companhia deverá manter, na área posterior às comportas, vazão de 700 litros por segundo no período de estiagem (de maio a outubro). No período chuvoso, entre novembro e abril, o fluxo de saída mínimo deve ser de 1,2 mil litros por segundo.

Leia Mais: Fim de taxa mínima representa prejuízo de R$ 17 milhões mensais à Caesb

Histórico
O estado crítico de escassez hídrica foi decretado em novembro de 2016, quando o volume medido foi de 19,4% — o mais baixo até então. Na ocasião, a agência autorizou o início do racionamento de água no DF. Os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria atingiam volume útil de 40,1% e 50,3%, respectivamente. Até as 11h desta segunda-feira (17), o nível do Descoberto estava em 96,9%.

Em 2017, o reservatório viveu seu pior ano desde o início da série histórica em 1987. No dia 7 de novembro, foi registrado o volume útil de 5,3%: o mais baixo já visto. No ano anterior, a barragem tinha atingido seu volume máximo pela última vez. A situação se manteve por 26 dias: entre 15 de março e 9 de abril.

“É muito importante que as pessoas se conscientizem de que nós vivemos tempos incertos, em que as variações climáticas estão presentes e podem trazer problemas: ou de água demais ou de menos. Temos que estar preparados sempre e, por isso, não podemos perder as boas práticas que aprendemos durante esse período de escassez hídrica. É importante utilizar a água de maneira racional e transmitir isso às crianças, para que elas entendam que vivemos em um mundo onde a água tem limites”, advertiu o diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles.

Uso consciente

De acordo com a Adasa, não é recomendado usar água tratada para:
» lavar veículos, garagens, calçadas e fachadas de prédios
» irrigar jardins
» fazer manutenção de piscinas


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