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Brasília

Visibilidade lésbica: histórias de aceitação, de “labirinto” e de amor

Há 26 anos, acontecia o 1° Seminário Nacional das Lésbicas, que discutiu políticas públicas de combate à lesbofobia e deu visibilidade à luta

Redação Jornal de Brasília

29/08/2022 17h56

Foto: Arquivo pessoal

Isabele Azenha e Marina Morôni
(Jornal de Brasília / Agência de Notícias CEUB)

De todos os caminhos tortos que andei

Você é meu labirinto

De todas as exclamações que deixei

Você é os três pontinhos

As minhas perguntas

Meu ciúme sem razão

O meu dicionário

Minha indefinição

Os versos de Cantin, são da musicista Larissa Vitorino, de 41 anos. Ela encontrou na arte o caminho para se expressar livremente. “O trabalho, na verdade, me ajuda” disse Larissa a respeito do próprio processo de aceitação. Durante a entrevista, Larissa também diz que não deveria haver debate a respeito da sexualidade no ambiente profissional, pois é algo muito pessoal, mas entende que é um assunto que deve ser discutido até que seja normalizado.

Uma forma de normalizar é a celebração do 29 de agosto (Dia Nacional da Visibilidade Lésbica). Nesse mesmo dia, em 1996, ocorreu o 1° Seminário Nacional das Lésbicas (SENALE), organizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (COLERJ), que tinha por objetivo discutir políticas públicas de combate à lesbofobia e dar visibilidade à comunidade lésbica.

Trabalho

Apesar de todas as mudanças e reivindicações que surgiram com a criação de políticas públicas inclusivas, a realidade da mulher lésbica no dia a dia é diferente. As empresárias Luá Resende Aguiar, de 31 anos, e Jeysa Nadjan de Oliveira Borges, de 37 anos, são um casal lésbico e comentam a respeito da representatividade no ambiente profissional.

“Você não quer sair daquela posição, você suou para conquistar aquilo ali”, afirma Jeysa sobre ser cuidadosa com a sexualidade em ambiente de trabalho, onde já existe preconceito apenas por ser mulher e estar em um cargo alto. 

Luá e Jeysa também mencionaram que muitas vezes os contratantes querem empregar apenas mulheres lésbicas para cargos altos na empresa, pois as consideram pessoas mais masculinas, sendo assim, seriam mais capazes de exercer trabalhos mais exigentes.

Atualmente, o casal tem filiais de um restaurante do qual são sócias e, sempre que vão contratar algum funcionário, fazem questão de deixar claro nas entrevistas de emprego que a empresa não tolera homofobia e não aceita nenhum tipo de discriminação. 

Rejeição

Entretanto, no ambiente familiar as dificuldades são diferentes, a rejeição dos parentes pode ser pior que a profissional em alguns casos. Ao abordar o assunto, Jeysa citou que o principal comentário que a sua mãe fez assim que ficou sabendo da sexualidade da filha foi: “Prefiro ter uma filha doente do que ter uma filha lésbica”.

Luá acrescentou que a sua experiência fora de casa foi muito mais natural do que dentro de casa, se sentiu mais aceita pela sociedade do que pelos parentes. 

A reação inicial foi mais intensa, porém aos poucos os parentes foram entendendo e se adaptando. Luá e Jeysa decidiram ter um filho e isso mudou tudo para elas. A partir daí as famílias perceberam que o importante era que houvesse amor em casa, seja com quem for. “Hoje em dia pra mim não importa se é com homem ou com mulher, eu só quero ter neto”, disse o pai da Jeysa.

O casal lamentou que, no dia dos pais, celebrado na creche do filho, nem puderam participar do evento pois no convite estava escrito que apenas seria permitida a entrada de pais.

Além disso, existem problemas burocráticos referentes à certidão de nascimento do filho, no caso de algumas viagens, os funcionários que verificam a documentação questionam o fato de haver o nome de duas mães. 

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