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Brasília

Vingança: autor do crime da mala teria sido abusado ainda na infância

Arquivo Geral

20/12/2016 10h06

Hugo Barreto

Jéssica Antunes
jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br

Só há uma versão do assassinato de Ivonilson Menezes da Cunha, de 39 anos: a do autor. O homem foi espancado, asfixiado, morto, colocado dentro de uma mala e arremessado da ponte Honestino Guimarães na noite chuvosa de 26 de outubro. Felipe Cirilo, de 20 anos, confessou o crime. Em depoimento, se disse cansado de supostos abusos na infância e premeditou o homicídio. Na Justiça, a vítima não tem nenhum registro de condenação por pedofilia.

“Nunca vamos saber se a história contada é completamente real. A vítima está morta e não pode dar sua versão dos fatos. O que sabemos é que não podemos afirmar que ele era pedófilo. No passado, houve investigação superficial sobre um suposto crime, mas foi arquivado. Não tinha nenhuma condenação no nome de Ivonilson”, ressaltou o delegado Alexandre Gratão, da 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, que elucidou o crime em cerca de quarenta dias.

A investigação começou no dia 27 pela manhã, quando um homem viu a mala boiando na água, a puxou para a margem e encontrou o corpo da vítima. Os investigadores conseguiram provar que Felipe e um adolescente de 14 anos estiveram na casa de Ivonilson no momento do crime. O que se sabe é que Felipe e Ivonilson se conheciam e tinham uma convivência. Na casa da vítima, foram encontradas roupas do assassino. De acordo com o delegado, eles dormiam na mesma casa eventualmente.

“O autor não detalha o abuso que diz ter sofrido quando tinha cerca de sete anos, mas disse que, aos 15, voltaram a se encontrar, mas Felipe nega que tenham tido qualquer tipo de relação íntima após a vida adulta. Esse é um tipo de crime que só teremos uma versão”, contou o delegado. No início o homem negou, mas confrontado com as provas, assumiu a autoria do crime.

Frieza em detalhes

Durante depoimento, Felipe Cirilo não demonstrou arrependimento e, com riqueza de detalhes, contou o que aconteceu naquela noite. Ele foi à casa da vítima, na quadra 6 do Lago Paranoá, com um saco de plástico na cintura e uma faca, que usaria para cometer o crime. Chegando lá, ele deu um mata leão, botou o plástico na cabeça da vítima até asfixiá-lo, enrolou suas pernas e braços com fita para que coubesse na mala. O laudo cadavérico mostra que Ivonilson sofreu lesões na cabeça. Depois da morte, Felipe e o adolescente que o ajudou, ficaram cerca de duas horas na casa da vítima vendo televisão esperando o melhor horário para desovar.

À polícia, o autor disse não ter suportado mais os assédios, que seriam constantes, e resolveu matar. Na mala, Felipe deixou um doce, uma camisinha e um teclado de computador. Segundo o delegado, esse seria um recado para indicar que a vítima se tratava de um pedófilo. Nesse ponto, há divergência. Os investigadores encontraram gasolina no veículo da vítima, usada para desovar o corpo. A intenção seria queimar a mala, o que não bateria com a versão de “mandar um recado”. Uma dívida de quase dois mil reais também pode ter influenciado no crime.

Após arremessar a mala com o corpo, a dupla voltou para o Paranoá e abandonou o veículo de Ivonilson em um parque. No dia seguinte, quando o crime foi descoberto, eles levaram o carro para o Setor de Oficinas da cidade e a ação foi flagrada por câmeras de segurança no mesmo horário em que a perícia da Polícia Civil analisava o corpo retirado do reservatório.

Adulto preso, adolescente solto

O assassino confesso de Ivonílson está na carceragem do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil desde o dia oito. A prisão preventiva foi solicitada após a conclusão do inquérito. Se condenado, ele poderá ficar até 35 anos recluso. São até 30 anos pelo crime de homicídio duplamente qualificado, até dois por corrupção de menores e até três por ocultação de cadáver.

O adolescente foi levado à Delegacia da Criança e do Adolescente I na Asa Norte, onde foi ouvido. A Polícia Civil solicitou que ele fosse internado compulsoriamente, mas a Vara da Infância e Juventude (VIJ) ainda não apreciou a solicitação. Ele continua em liberdade, mesmo com as provas colhidas e o depoimento do assassino confesso.

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