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Brasília

Venda de imóveis volta a cair e frustra recuperação

Arquivo Geral

07/07/2017 7h00

Atualizada 06/07/2017 22h04

Antonilia em mudança: com incerteza do mercado, ela conseguiu trocar seu imóvel por um menor, mais prático. Foto: Myke Sena

João Paulo Mariano
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Depois de alguns meses de mercado aquecido, a comercialização de imóveis arrefeceu no mês de maio deste ano. O índice imobiliário de comercialização, que mede as vendas, teve a primeira queda dos últimos meses, 0,82%. O dado foi divulgado pelo Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF), que avalia mensalmente o setor.

O presidente do Secovi-DF, Hiran David, acredita que não foram os problemas econômicos que levaram a essa diminuição, mas as conturbações na política nacional. A incerteza fez o brasiliense guardar as economias por mais tempo. “O volume de negócios e de clientes vem aumentando neste ano. Mas, hoje, temos condições positivas na economia e desfavoráveis na política”, complementa.

Hiran David não acredita que os resultados do mês de maio sejam um tropeço em relação so resto do ano. Aposta que nos próximos meses esse quadro deve ser modificado já que o acumulado de 2017 foi bem melhor que todo o ano passado. Até maio de 2017, a soma do índice de comercialização ficou em 3,78%. Em todo 2016, foram apenas 0,34%. Até abril, o dado, que crescia a cada mês, ficou em 4,64%.

Apesar da queda do índice, tem gente comemorando a troca de apartamento. A servidora pública aposentada Antonilia Marra, 56, na última semana, está vivendo em meio a caixas de papelão lotadas com os utensílios domésticos. Ela se mudou há alguns dias para um apartamento menor que o que tinha, na intenção de ganhar praticidade. Saiu de um imóvel com quatro quartos para um com três e de metragem bem menor.

Ela diz que o processo de venda foi estressante porque houve um efeito em cadeia: ela tinha que sair rapidamente do antigo apartamento porque o comprador tinha pouco tempo para sair do que ele havia vendido. Isso estaria acontecendo com muita frequência já que as pessoas não estão tendo tanta capacidade financeira para comprar um novo imóvel.

Foram três anos só para fazer negócio

A luta de Antonilia Marra para vender o apartamento não foi nada fácil. Foram três anos recebendo inúmeras visitas, mas sem fechar negócio. O jeito foi diminuir o preço do imóvel até encontrar alguém disposto a pagar o cobrado. Com avaliação inicial de R$ 2,3 milhões, a unidade só foi vendida após baixar R$ 700 mil no preço de venda. Saiu por R$ 1,6 milhão.

A aposentada não gostou de diminuir tanto o valor, mas afirma que foi necessário, já que gosta de morar na Asa Norte e faz questão de viver em Brasília, uma vez que “não existiria melhor lugar”.

O presidente do SECOVI-DF, Hiran David, também acredita nos benefícios de se morar na Capital e, por isso, tem uma boa expectativa para o mercado. “A espera é bem positiva em virtude da estabilidade econômica, dos juros baixos e da facilidade do financiamento”, entende. Para ele, se as dificuldades políticas diminuírem e a inflação se mantiver na meta, o ano terminará com bons índices.

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