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Brasília

Vale a pena?

Arquivo Geral

15/10/2016 7h00

Atualizada 14/10/2016 11h56

Sem dúvida alguma o jogo entre Fluminense e Flamengo ainda vai dar muito que falar nos próximos dias. E não digo isso por conta das declarações do presidente tricolor, que promete pedir “a anulação do jogo”. Nada disso. A partida, como muitas nesta reta final do Brasileiro, não “termina nela mesma”, ou melhor, não interessa apenas aos dois clubes envolvidos. Mais do que Fluminense e Flamengo, o resultado do jogo realizado em Volta Redonda, quinta-feira, mexe com Palmeiras, Atlético Mineiro, Santos, Corinthians, Botafogo, Grêmio, Ponte Preta e Atlético Paranaense, isso para citar apenas os times que, neste momento, brigam pelo título e por uma colocação no chamado G-6.

Antes de prosseguir, quero deixar bem claro que não sou totalmente favorável ao uso do vídeo. Podem falar em modernidade, que outros esportes já utilizam, mas… Vejam por exemplo o polêmico lance do gol anulado/legalizado/anulado do Fluminense no jogo citado acima. Dependendo do frame em que se congele a imagem (falando de forma menos formal, dependendo do momento em que se pare a imagem), Rever dá condição a Henrique. E aí? Como fica? Quem vai operar a maquininha? Um tricolor ou um flamenguista?

Dito isto…

Da mesma que um erro de arbitragem não termina em si só, o resultado do Fluminense x Flamengo de Volta Redonda terá desdobramentos – e por isso falo que ainda vai dar o que falar nos próximos dias. Segunda-feira, por exemplo. O Fluminense enfrentará o São Paulo em Edson Passos. Com que motivação? O tricolor paulista, como se sabe, está quase entrando no Z-4; o tricolor carioca, com o ponto perdido diante do rival rubro-negro, precisa vencer de qualquer jeito para continuar no G-6. Como, porém, reagirão os jogadores do Fluminense depois do clássico regional? E o Flamengo? Agora um ponto atrás do Palmeiras?

Na realidade, o grande culpado por tudo o que aconteceu foi o Fluminense. Sim. Deixou que a partida fosse adiada para que o adversário pudesse contar com o time completo, incluindo os jogadores que estavam cedidos às diversas seleções nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo. Permitiu que a partida fosse em Volta Redonda, quando o mando era seu – por que não usou Edson Passos, se Botafogo x Flamengo foi na Ilha do Governador? De quebra, ainda abriu mão do direito de ter 90% do estádio (era o mandante), dividindo meio a meio os ingressos com o rival. A partir daí, abriu a porteira para qualquer coisa que pudesse acontecer. Como aconteceu.

O primeiro gol do Flamengo foi legítimo? Até acho que foi. Havia impedimento no gol do Fluminense? Certamente não. A defesa do Fluminense falhou no segundo gol rubro-negro? Sem dúvida alguma. Foi legítimo anular o que seria o segundo gol tricolor? Até considero que sim, mas não posso aceitar que o bandeirinha (e aqui faço questão de não utilizar o termo auxiliar, para ser bem pejorativo) bata no peito e, na confusão, diga que marcara de pronto a irregularidade. Tanto estava em dúvida, tanto não tinha certeza, tanto achava que estava errado que, na primeira consulta feita pelo (fraco) árbitro da partida o gol acabou “legalizado”. Só quando veio a ajuda “lá de cima”, dos meios eletrônicos (que ainda são proibidos no futebol, daí a bravata tricolor em dizer que irá pedir a anulação do jogo), que o gol foi definitivamente “descartado”. E isso depois de muita confusão e de uma paralisação que não foi compensada pelo (fraco) árbitro. Coisas do futebol.

Depois de toda essa confusão entre os profissionais de futebol, tem de se lamentar, e muito, a confusão que aconteceu no intervalo da partida – curiosamente no mesmo lado dos gols que geraram problemas no jogo. Numa dessas promoções entre sócios-torcedores (que sou totalmente contrário), um torcedor rubro-negro marcou o pênalti que bateu e correu em direção à torcida tricolor, que estava atrás daquela baliza, fazendo sinal de silêncio, em clara provocação – totalmente desnecessária. Aí, um dos tricolores que participava da promoção decidiu “tirar a limpo” a atitude e… Bem, trocaram agressões e o caso foi parar na delegacia. Lamentável. E, se o ato do flamenguista foi deplorável, o do tricolor foi ainda pior, afinal de contas, ele não é justiceiro ou tem qualquer tipo de procuração para “tomar as dores” de quem quer que seja. Espero, sinceramente, que esta confusão sirva para terminar com esta palhaçada nos intervalos.

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