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Usuários do metrô dividem opiniões após retorno da greve

Para quem pega o transporte cedo, fim da paralisação é benéfico, mas os reflexos da volta ainda não puderam ser verificados totalmente

Por Tereza Neuberger e Vítor Mendonça

Após o término da maior greve dos funcionários da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal, que se estendeu por 187 dias, a população já pôde aproveitar o funcionamento de 100% da frota nas estações e conta agora com todos os 24 trens para o transporte, principalmente em horários de pico. O fim da paralisação aconteceu ontem por decisão e determinação judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10).

Na opinião de Francisca Mendes Viana, de 55 anos, que pega o metrô todos os dias de Taguatinga para a Estação Central, na Rodoviária do Plano Piloto, o fim da greve foi benéfico, uma vez que já começou a perceber os reflexos da volta de 100% da frota circulante. Ela é cuidadora de uma idosa no Plano Piloto e nesta terça-feira (26) entrou no vagão por volta das 6h e chegou no centro às 6h50.

“Notei que os trens começaram a passar com mais frequência. Ficou bem melhor agora. Hoje [26/10] estava menos lotado, mas ainda estava bem cheio”, comentou. Para ela, o problema são os poucos assentos disponíveis – ela relata sempre ver muitas pessoas sentadas no chão. “Mas de ontem para hoje já melhorou”, reforçou.

Para Daniel Bispo, 49, por outro lado, não houve diferença perceptível entre o serviço durante a greve e após a volta do funcionamento pleno da frota nesta terça-feira. De acordo com o analista dos Correios, esperou o mesmo tempo para o trem chegar na estação de Águas Claras, de onde veio, e os vagões lhe pareceram ter a mesma lotação de antes. Ele pega o metrô às 6h30 e chega pouco depois das 7h no centro.

“Para mim, da forma que está sendo, está atendendo à necessidade. Para mim é tranquilo até, porque não pego o metrô tão cheio pelo horário que entro. Mas se pegar um pouco mais tarde, estará mais cheio”, relatou o analista.

A cozinheira Terezinha de Oliveira, 54, também não viu ainda nenhuma mudança no metrô nesta terça. “Pego sempre nesse horário [6h50] e para mim não teve diferença nenhuma – pelo contrário, hoje não sei o que aconteceu, mas parece que estava mais cheio do que o normal, bem mais cheio”, contou.

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Devido à greve, ela afirma que precisou levantar mais cedo para tentar garantir o trem mais vazio, com mais espaço para sentar e viajar mais confortável. “Não conseguindo, eu pelo menos tenho tempo para esperar o próximo. […] Antes [da paralisação], o tempo de espera era menor e conseguia sentar tranquilamente”, comentou.

“Hoje em dia está sendo bem mais complicado. Espero que melhore, com certeza, porque não podemos nos aglomerar [pela pandemia], mas o vagão vem abarrotado todo dia”, acrescentou. Isso é o que mais lhe incomoda, segundo a cozinheira. “Eu gosto mais de metrô do que de carro, porque é mais rápido, mas em compensação, tem essa lotação toda e não tem espaço”, finalizou.

Fim da greve

Durante o período de paralisação, iniciada em 19 de abril deste ano, o Metrô-DF operou com 80% da frota em horários de pico, e 60% da frota em horários de menor movimentação. Segundo o sindicato dos metroviários (Sindimetrô), as reivindicações eram por vale alimentação, auxílio-alimentação, auxílio no plano de saúde, indenização de transporte, quebra-de-caixa e abono especial.

Ao Metrô-DF foi determinado o cumprimento das reivindicações em questão, mantendo todos os benefícios financeiros, inclusive o abono especial do “Sodexo”. Em caso de descumprimento, a direção do Sindmetrô poderá recorrer em crime de responsabilidade por descumprimento de decisão judicial, recorrendo à multa revertida ao empregado. 

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Os dias parados devem ser compensados a partir de negociações entre as partes, mas há possibilidade de recurso no Tribunal Superior do Trabalho caso não haja consenso. O Metrô-DF só poderá descontar 10% mensal do empregado nos meses parados. “A justiça julgou as cláusulas conforme nós pedimos na ação judicial. Quando são julgadas pelo tribunal, automaticamente ela vem como decisão judicial para serem cumpridas.”, conta Hugo Lopes, diretor de relações sindicais do Sindmetrô.

Em nota enviada à imprensa, o Sindmetrô informou que a categoria metroviária decidiu pelo fim do movimento grevista por votação unânime. “Compreendemos que a justiça foi feita e a manutenção dos direitos garantidos por meio da decisão do Tribunal Regional do Trabalho. O Sindicato espera que a direção do Metrô venha, conforme determinação do Tribunal, negociar os dias parados e cumprir a decisão”, destacou.

“É lamentável que a população e os trabalhadores tiveram de passar por tantas dificuldades, durante tanto tempo, em época de pandemia, para assegurar seus direitos que a empresa se empenhou em retirar. Fica claro que a empresa e o GDF não têm a menor preocupação com os transtornos causados pela greve, pois toda tentativa da categoria era unicamente para manter os seus direitos e ter cumpridas as decisões judiciais por parte da empresa”, complementou na nota. 

Os sindicalistas afirmam aguardar o cumprimento de toda a Sentença Normativa por parte da Companhia do Metropolitano.

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Confira a nota na íntegra:

“O Sindmetrô informa que a categoria metroviária decidiu pelo fim do movimento grevista. Por votação unânime nossa categoria optou pelo cancelamento da greve que durou pouco mais de 6 meses, pois compreendemos que a justiça foi feita e a manutenção dos direitos garantidos por meio da decisão do Tribunal Regional do Trabalho. 

O Sindicato espera que a direção do Metrô venha, conforme determinação do Tribunal, negociar os dias parados e cumprir a decisão. 

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É lamentável que a população e os trabalhadores tiveram que passar por tantas dificuldades, durante tanto tempo, em época de pandemia, para assegurar seus direitos que a empresa se empenhou em retirar. 

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Fica claro que a empresa e o GDF não têm a menor preocupação com os transtornos causados pela greve, pois toda tentativa da categoria era unicamente para manter os seus direitos e ter cumpridas as decisões judiciais por parte da empresa. Durante a negociação não houve sequer pedido de reajuste, aumento, para que justificasse a inflexibilidade da empresa, porém ainda assim a política adotada pelo Metrô foi de retirar direitos. 

Seguiremos firmes e aguardando o cumprimento, por parte da empresa, de toda a Sentença Normativa, prestando nosso trabalho de forma plena para a população. Que a empresa repense seu objetivo principal de transportar com qualidade a população e respeite os direitos dos metroviários, cumpra as decisões judiciais e que não seja necessário entrarmos em greve, sacrificando o trabalhador e o usuário do Metrô.”








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