Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br
Estudantes, professores e servidores da Universidade de Brasília começaram a votar, de forma paritária, para eleger o reitor e vice para o próximo quadriênio (2016- 2020). Hoje, as urnas ainda estarão à disposição da comunidade acadêmica até o fim do dia. O voto é facultativo e secreto.
Todos têm direito de participar, desde que integrem o quadro permanente da Fundação Universidade de Brasília (FUB) ou estejam regularmente matriculados nos cursos presenciais de graduação, pós- graduação e programas de residência. Ao todo, 19 seções foram distribuídas nos quatro campi. Em cada uma delas, estão disponíveis urnas separadas e cédulas padronizadas para cada segmento.
Perfil dos candidatos:
Chapa 93
Denise Bomtempo
Graduada em Serviço Social pela UnB, a candidata tem doutorado em Ciências Sociais pela Université de Paris I, Panthéon Sorbonne em 1992. Atuou em diversas áreas na UnB como gestora, inclusive na atual gestão como decana de Assuntos Comunitários.Chapa 94
Márcia Abrahão
Exerce desde fevereiro de 2014 o cargo de diretora do Instituto de Geociências. Ela é geóloga, professora e pesquisadora CNPq. Entre 2008 e 2011, foi decana de Ensino de Graduação da Universidade de Brasília (UnB) e coordenou o Programa de Reestruturação Universitária (Reuni), o que garantiu a liberação de recursos para a expansão da universidade com novos campi.Chapa 95
Ivan Camargo
É o primeiro ex-aluno a ser eleito reitor da UnB e concorre à reeleição. É doutor em Engenharia Elétrica pelo Instituto Nacional Politécnico de Grenoble, da França. Foi decano de Ensino de Graduação na UnB na gestão do professor Lauro Morhy.
Amanhã, a Comissão Organizadora da Consulta (COC) fará a apuração no Centro Comunitário da UnB e, em seguida, divulgará o resultado. Vence a chapa que obtiver mais de 50% do total de votos. Caso nenhuma delas atinja essa condição, a partir do dia 2 de setembro as duas chapas mais votadas irão para o segundo turno. A nova consulta ocorrerá, então, nos dias 13 e 14 de setembro.
Depois disso, os nomes escolhidos para assumir a reitoria serão encaminhados para homologação no Conselho Universitário (Consuni) em 16 de outubro. Do órgão colegiado, sairá uma lista tríplice a ser enviada para aprovação e nomeação pela Presidência da República.
Candidatos de três chapas concorrem aos cargos mais importantes da instituição. São eles: Denise Bomtempo e José Manoel Sánchez (Chapa 93 – UnB Diálogo e Ação), Márcia Abrahão e Enrique Huelva (Chapa 94 – Diálogo para Avançar) e Ivan Camargo (atual reitor) e Sônia Báo (Chapa 95 – Somos Todos UnB).
Insatisfação
Nas dependências da universidade, os estudantes estavam confiantes. Insatisfeito com a atual gestão, o aluno de Ciências Ambientais Khalid Jordan, 18 anos, conta que optou pela chapa que apoia o diálogo na UnB. “Falta muita conversa aqui dentro. Isso precisa mudar. Estou otimista com o meu voto”, declara ele, que faz o curso no período da noite e reclama da insegurança.
“O reitor disse que iria investir em segurança, mas a única coisa que fez foi colocar uns ‘guardinhas’. Não temos o básico. Falta iluminação em boa parte dos corredores e estacionamentos”, aponta.
Além disso, o jovem destaca a diferença na estrutura das graduações. “Todos os cursos precisam ser igualmente valorizados. A faculdade de Ciências da Saúde, por exemplo, é mais arejada, possui laboratórios equipados e o restante não é assim”, completa.
A possibilidade de renovação também foi comemorada por Gabriel Laerth, 19 anos. No terceiro semestre de Ciências Contábeis, ele lamenta a falta de professores.
“Muitos contratos acabam e não são renovados. Eu mesmo estou sem fazer uma matéria por falta de professor. Para piorar, saio da UnB por volta das 22h e a universidade está um breu. Conheço gente que já teve o carro furtado”, relata.
Já a estudante de Letras Mariana Costa, 20, destaca outros problemas: a localização das farmácias, que são distantes, e a falta de ambulâncias. “São muitas as falhas. Temos vários casos de roubo, furto e até estupro. Mendigos, bêbados, todo mundo entra aqui. O que esperamos de um reitor é, pelo menos, o compromisso de se esforçar para melhorar”, acrescenta.
Segurança é uma das reivindicações
Para Vitória Torres, 18 anos, a sensação é de que os universitários que estudam à noite foram esquecidos pela reitoria. “A escuridão é total. Temos que andar sempre em grupo para nos proteger. Espero que possa haver mais diálogo com a nova gestão”, conclui ela, que cursa Letras.
Servidor da universidade há poucos meses, o analista de TI Rodrigo Dantas, 25 anos, ressalta que falta investimento de qualidade.
“A UnB tem dinheiro, mas precisa empregar mais em infraestrutura e segurança. Precisam saber usar melhor a verba. Meu pai trabalha aqui há 30 anos e tem amigos que tiveram o carro furtado no próprio estacionamento da reitoria. Isso não pode acontecer”, finaliza o profissional.