Jéssica Antunes
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O laboratório onde Louise Ribeiro foi assassinada com um produto químico continua fechado no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB) um ano após o crime. Segundo funcionários, poucos são os que têm estômago para entrar pela porta em que Vinícius Neres planejou e matou a estudante. O caso ainda mexe com o emocional de quem passa pela instituição. Agora, a jovem será lembrada com carinho: na entrada do bloco de salas de aula, uma placa a homenageia às vésperas do julgamento popular do criminoso.
“Milagres acontecem todos os dias”. A frase, tatuada na pele da estudante, agora é parte da homenagem construída em conjunto com a família. A placa ganhou destaque na parede branca do Bloco H do ICBio. A UnB ainda projeta a construção de um jardim em tributo à Louise. A ideia é que o local represente o amor da estudante de Biologia pela área em que pretendia atuar.
Louise Ribeiro tinha duas irmãs. Ela era a filha do meio e cursava o 5º semestre. Estagiava no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e foi monitora de uma disciplina do departamento de seu curso.
Na época do crime, o assassino confesso Vinícius Neres, aos 19 anos, não demonstrou culpa. Pelo contrário, chegou a rir e fazer chacota da situação. “Foi muito bom”, classificou. Ele terá de encarar o júri popular no dia 3 de abril, às 9h, pouco mais de um ano após ser levado ao Complexo Penitenciário da Papuda.
O ex-estudante foi acusado pelos crimes de homicídio qualificado pelo motivo torpe, emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio e destruição de cadáver. Em janeiro deste ano, a defesa tentou tirar algumas acusações, mas a Justiça negou recurso.
À Agência UnB, a reitora Márcia Abrahão afirmou que a data da morte da estudante será considerada um dia de luto para a instituição. “O que aconteceu não foi um crime comum, foi um feminicídio. E é nosso dever, na universidade, mantermos aceso o debate sobre esse tipo de assunto”, explicou. O Jornal de Brasília não conseguiu contato com a família de Louise.
Produto químico foi a arma
Vinícius matou Louise com requintes de crueldade. Segundo o depoimento do réu à Polícia Civil, ele se encontrou com a vítima no laboratório e disse que se mataria, mas Louise o abraçou para confortá-lo. Naquele momento, ele teve um “ataque de fúria”.
Com o braço esquerdo, imobilizou a garota. Com o direito, abriu o vidro de clorofórmio, embebeu um pano e a fez desmaiar. Despejou, então, 200 ml do produto na boca da estudante antes de sentá-la em uma cadeira. Neres prendeu os pés e as mãos da menina, enrolou o corpo em um colchão e o abandonou no Setor de Clubes Norte.
Os dois eram colegas de classe, mantiveram um relacionamento e ela não tinha interesse de reatar. No dia seguinte ao crime, o corpo foi encontrado parcialmente queimado. O assassino confessou.
Neres reservou o laboratório com uma semana de antecedência e informou a colegas e professores que faria um “experimento fotográfico”. Assim, conseguiu autorização para tapar as janelas e impedir a entrada de colegas no espaço.