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Uber Eats encerrará deliverys de restaurantes na capital a partir de março

Enquanto empresários não temem prejuízos, entregadores do aplicativo explicam o medo de dificuldades financeiras futuras

Foto: Divulgação / Uber Eats

Gabriel de Sousa
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Através de um anúncio divulgado neste início do mês de janeiro, o aplicativo de delivery Uber Eats informou que irá encerrar as suas atividades de delivery de restaurantes em Brasília, a partir do dia 8 de março de 2022. A companhia afirmou que irá continuar a realizar apenas os serviços de entregas de itens de supermercados e de lojas de conveniência.

Em uma nota enviada para o Jornal de Brasília, a empresa afirmou que irá utilizar novos métodos de serviços a partir de março deste ano. “A partir de agora, a empresa vai trabalhar em duas frentes: com a Cornershop by Uber, para serviços de intermediação de entrega de compras de supermercados, atacadistas e lojas especializadas; e de entrega de pacotes pelo Uber Flash”, explicou.

O anúncio aconteceu três dias após o presidente Jair Bolsonaro (PL), sancionar uma lei que cria novas medidas de proteção aos entregadores de aplicativos durante a pandemia de covid-19.

O projeto, apresentado em abril de 2020, prevê que seja oferecida assistência financeira de 15 dias para o entregador que for infectado pelo coronavírus, além do fornecimento de água potável, álcool em gel e máscaras pelas empresas de delivery.

Entregadores criticam decisão

Segundo o estudante universitário, Vitor Almeida, um morador de Taguatinga que realiza entregas pelo Uber Eats como forma de complementar a sua renda, a decisão da companhia foi recebida com surpresa.”A minha namorada me mostrou uma notícia, e eu entrei na plataforma e vi a mensagem confirmando”, conta.

Após o falecimento do seu pai em 2020, Vitor decidiu empenhar-se nas entregas por delivery, como forma de complementar a renda da sua casa, onde mora com a sua mãe e a sua irmã: “Eu tive que assumir as despesas da casa, e é a partir desse trabalho que eu consegui”.

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Vitor faz as suas entregas por bicicleta e lamenta a decisão da companhia ter sido decretada após a sanção da lei governamental que traria mais direitos para os entregadores. “Eles aproveitam as brechas da lei, juntamente com a alta mão de obra, e se aproveitam disso. Na hora de nos ajudar, eles viram as costas e vão embora”, explica.

Vitor, que apenas realizava o serviço para a Uber Eats, diz que agora irá procurar novas alternativas, e espera que os prejuízos financeiros não sejam tão altos. Ele diz que agora, mesmo com três meses antes do fim das entregas pelo delivery, já procura novas alternativas de obter renda após o fim do serviço pela companhia.

Perguntado sobre a sua opinião sobre a decisão da Uber Eats, Vitor preferiu afirmar que foi a melhor alternativa da companhia, tendo em vista que as medidas de auxílio aos entregadores tinham a previsão de não ser adotadas. “Se não for para nos respeitar como seres humanos, trabalhadores que geram renda para essa empresa, é melhor que vão embora e que não voltem”, conclui.

Empresários brasilienses não temem prejuízos

De acordo com o empresário Cirano Gomes, dono da rede de fast foods Meatz Burger N’ Beer, que possui 16 unidades espalhadas por Brasília e em outros quatros estados do país, o fim do delivery de restaurantes por parte do Uber Eats irá “fazer falta”.

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Ele explica que com a extinção do serviço, outras empresas irão obter um monopólio do ramo de entregas por aplicativo. No Brasil, atualmente, 70% deste mercado é controlado pela rede nacional iFood.

Cirano observa também, que a medida será sentida pelos motoboys, que necessitam da realização das entregas para obter uma renda financeira. “Acabaram que eles conseguiram alguns dinheiros, mas infelizmente, podem perder empregos por serem muito burocráticos e custarem muitos ônus para quem emprega aqui no Brasil”, explica.

O dono da rede de fast foods explica que os clientes continuarão a solicitar a entrega por delivery apesar do fim da atividade pela Uber Eats. A previsão do empresário, leva em consideração que outras empresas continuarão a realizar o serviço, e os compradores continuarão a preferir este modo de atendimento. “Para a gente foi um baque, mas a gente sabe que o nosso cliente continuará a pedir a entrega, seja em qual canal for”, afirma Cirano.

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