Jéssica Antunes
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A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nove pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que abastecia a capital com grandes quantidades de drogas. A operação de duas fases foi deflagrada depois que mais de 160 quilos de maconha foram apreendidos quando um integrante recebia o abastecimento. A maior parte dos tabletes estava embalada em papel de presente, o que chamou a atenção de investigadores. Um dos homens foi flagrado dormindo abraçado com o entorpecente.
A investigação iniciou em meados de 2017 para apurar um tráfico de drogas de uma associação que atuava especialmente na região de Samambaia. “Por um deslize do líder, ele foi preso logo no início das apurações, que não foram encerradas porque sabemos que a liderança é substituída até com facilidade”, conta o delegado Diogo Cavalcante. Identificado o novo chefe, a corporação soube de um grande carregamento que chegaria no dia 15 de dezembro.
A notícia levou à organização da Operação Navalha, comandada pela Coordenação de Repressão às Drogas (CORD) com a Divisão de Operações Especiais (DOE) e apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os policiais abordaram o veículo GM Captiva carregado de maconha, mas o motorista deu trabalho para os investigadores.

Foto: Raianne Cordeiro/Jornal de Brasília
“Em vez de obedecer a ordem de parada, o motorista fugiu e foi preciso usar disparo de arma de fogo controlado e progressivo. Um a um, os quatro pneus foram estourados e ainda assim ele não parou. Ainda correu por mais um quilômetro”, descreve.
A prisão do homem que fazia o transporte permitiu a deflagração da segunda fase da operação, com cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão na terça-feira (18). Um dos integrantes da organização foi preso em flagrante quando dormia abraçado com um grande tablete da droga. À polícia, ele disse que aquela quantidade seria para uso próprio. Veja vídeo:
Cada integrante era responsável por uma boca de fumo em Samambaia, Cidade Estrutural e no Gama. O chefe ganhava o dinheiro em cima da venda no atacado e os outros no varejo, comercializando para pequenos traficantes. O resultado da ação foi a apreensão de mais de 160 quilos de droga, mais de R$ 50 mil em jóias, sete veículos de luxo e R$ 12 mil em dinheiro. “Temos a certeza de que essa organização foi desestruturada e vai demorar a sair da prisão”, acredita o delegado.
Saiba mais
O primeiro líder da organização, identificado ainda em 2017, continua preso. De acordo com a Polícia Civil, ele não foi ouvido para que as investigações prosseguissem. “Traficante é um dos criminosos mais astutos, então a gente trabalha no sigilo para que não atrapalhe as investigações”, explica Diogo Cavalcante.
Por conta dessa preocupação, o nome dos nove presos não foi divulgado para que não dificulte a detenção de outros envolvidos e até mesmo demais organizações que atuem na capital.
Aquele homem, preso inicialmente, tinha uma barbearia que usava como álibi para justificar a ostentação de joias, carros e dinheiro, apesar de ser incompatível com a renda. A operação foi batizada de Navalha em alusão a isso. Conforme a polícia, o local não era usado para comercialização de ilícitos.
Nesta semana, o Jornal de Brasília mostrou que as forças de segurança já tiraram mais de seis toneladas de drogas das ruas da capital.