Quem passa pela rodovia DF-025 que corta o Lago Sul, conhecida como Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), percebe ao longo da pista diversos pontos onde pessoas vendem marmitex. E não faltam compradores. Pessoas que trabalham na região são atraídas pela oportunidade de garantir uma refeição barata, com preços que variam entre R$ 5 e R$ 8. Mas na hora de comprar, deve-se observar diversos fatores, pois na maioria das vezes as refeições não são feitas com a higiene adequada, ficam expostas ao calor e podem trazer riscos de doenças e infecções.
Próximo a um retorno da EPDB, João Alves vende marmitas no gramado. Ele explica que acorda às 3h30 para começar o preparo dos alimentos, que devem estar prontos até 9h30. “Venho de São Sebastião. Chego aqui com meu filho às 10h30 com 50 marmitex e vendemos todas”, diz. Instalado há um mês no local, ele conta que seus clientes são trabalhadores da região, como pedreiros, e também alguns patrões. Ele e o filho Saulo Alves ressaltam as medidas preventivas que tomam, como o uso de avental na hora de preparar a comida. Além disso, quando sobra alguma marmita eles doam para pessoas carentes.
A nutricionista Pollyanna Figueiredo, da Cliff Saúde, porém, recomenda que as pessoas observem se existe higienização na área de venda, principalmente no local de armazenamento. “Não se deve confiar em produtos vendidos no meio da grama e da terra. Mesmo com a marmita dentro do isopor, a comida pode estragar no calor, sem contar a fumaça dos carros, bichos e outros fatores”.
A nutricionista acrescenta que marmitas vendidas em veículos são uma opção melhor. “Pelo menos a comida não fica no chão. Mas deve-se reparar também na roupa da pessoa e nas unhas, para ver se está tudo limpo”, alerta. Caso o ambiente não seja bem higienizado, quem comer corre o risco de ter uma intoxicação alimentar, entre outros problemas. “Deve-se observar principalmente se a mesma pessoa que entrega a marmita recebe o dinheiro. Isso está errado”.
Há 17 anos no Lago Sul, Flávio Dantas vende marmitas e garante que são preparadas com toda a higienização possível. “Tenho clientes fixos, o que inclui até funcionários públicos. Eu uso toucas, luvas e avental para fazê-las. A cozinha é arejada, sempre limpa e tudo está dentro do prazo de validade”, defende. Ele ainda destaca que trabalha com em apenas um ponto, diferentemente de alguns que chegam a ter 14 pontos na EPDB. “O segredo é manter as embalagens limpas, sem restos de comidas e em locais frescos. Esses que vendem no chão são perigosos”.
E o grande problema são as bactérias encontradas nessas refeições. Allex de Melo Moraes, gerente de Fiscalização da Vigilância Sanitária, alerta que a comercialização desses alimentos não é recomendada nem autorizada pelo órgão. “Nós realizamos ações em conjunto com a Agência de Fiscalização, mas de nada adianta porque eles sempre voltam. O que deve acontecer é a conscientização das pessoas, para que optem por refeições saudáveis e fiscalizadas”. Ele revela que a Vigilância recebeu denúncias de que muitas dessas marmitas são produzidas em regiões que não possuem saneamento básico. “Não existe água, a fossa transborda e o alimento acaba sendo manipulado errado, sem higiene alguma.”