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Tolerância x intolerância: entenda como certas atitudes podem afetar o desenvolvimento das crianças

Psicólogo e jurista explicam como adquirir uma postura de respeito frente ao outro. Escola investe em ações de integração e respeito

Disposição para admitir modos de pensar, de agir e de sentir de outras pessoas, ainda que sejam diferentes dos próprios. Esta é a definição que o dicionário da língua portuguesa dá sobre o que é ser tolerante. Em 2022, pleno ano eleitoral no Brasil, a discussão sobre tolerância toma proporções, muitas vezes, de sobrevivência e consciência de se ter um relacionamento saudável nos ambientes de trabalho, de lazer e familiares. “Tolerância parte da ideia da pluralidade, ou seja, o reconhecimento de que não existe uma verdade única. Reconhecer o outro como igual, ou seja, que o outro é capaz de ter a sua própria verdade”, explica o jurista e Fundador da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Flávio Pansieri.

O brasileiro convive diariamente com discussões acaloradas fora de casa, trazendo altos níveis de estresse para os ambientes familiares e afetando principalmente as crianças que estão no convívio. O psicólogo Fernando Machado, do Hospital Anchieta de Brasília, explica que esse tipo de comportamento no primeiro núcleo – que é a família – pode sim afetar o desenvolvimento da criança em relação ao fato de ela também ser intolerante. “A gente entende que o primeiro núcleo social é a nossa família, então dentro dessa família eu aprendo o convívio de como ser nas relações. Então quando esse primeiro núcleo mostra como lidar com as relações, essa criança pode sim desenvolver também comportamentos de intolerância e isso pode refletir no convívio social dela, como o bullying com os coleguinhas, por exemplo”, conclui Fernando.

O jurista Flávio Pansieri explica a importância de reconhecer o outro como um igual, dialogar a partir de um enfrentamento argumentativo em pé de igualdade. “É preciso falar e ouvir respeitando os argumentos. Ao contrário do que possa parecer, a tolerância não significa apatia, mas sim o enfrentamento de argumentos. A tolerância é um tema que pode ser aplicado em todas as áreas do Direito, e a importância de falarmos sobre isso para as crianças é também ensinar sobre pluralidade e reconhecimento do outro, ou seja, a tolerância se ensina a partir da ideia de respeito com a coletividade e com o espaço do outro”, explica Pansieri.

Ações na escola contra a intolerância

Ao perceber como as crianças e os adolescentes são afetados por um ambiente pouco acolhedor e tolerante, o Colégio Objetivo de Brasília se tornou um exemplo ao propor um projeto chamado Ação Contra o Bullying e Cyberbullying, onde as orientadoras educacionais se reúnem com os estudantes nas salas, nos pátios e conversam sobre as diferenças. No final, os alunos fazem cartazes de acolhimento para os colegas: “os cartazes são expostos na área de convivência dos alunos e eles falam sobre o que vivenciam, o que os incomoda, os apelidos que já foram dados, e o sentimento que isso causou neles. Esse trabalho na escola é muito legal, muito interessante”, explica a orientadora educacional, Elaine Leite Pinto.

Elaine explica ainda que além das diferenças físicas, eles tratam sobre respeitar as diferenças filosóficas, diferenças de expectativa de vida, diferenças de concepções, de relações e de amizades, “agora mais do que nunca a gente fala sobre questões de concepções familiares, e sobre como cada família acredita e espera em relação ao que está acontecendo no mundo e no Brasil. As crianças precisam entender, criar suas próprias opiniões e aprender a ouvir e respeitar concepções diferentes”.








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