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Brasília

Terceira Idade na Era Digital

Arquivo Geral

16/12/2009 0h00

 Aos 94 anos, o escritor Antônio Britto de Oliveira está trabalhando em seu quarto livro de crônicas, “com muita história, mas também com muita ficção”, conta. Para concluir sua obra, ele recorreu a uma ferramenta que até bem pouco tempo ainda era um enorme desafio: a internet. A barreira foi derrubada depois de dois meses de curso no programa Geração III, oferecido pela Secretaria de Ciência e Tecnologia especialmente para alunos na terceira idade. Britto aprendeu a fazer pesquisas na rede mundial de computadores e agora tem algo em comum com jovens com menos de um terço da sua idade. “Não consigo mais viver sem computador”, admite.


O escritor foi um dos 316 idosos que receberam seus diplomas de cursos de informática na tarde desta quarta-feira (16). Eles estudaram nas unidades do Plano Piloto, Guará II, Samambaia, Recanto das Emas, Taguatinga, Gama, Ceilândia, Lúcio Costa e Vila Planalto. A formatura ocorreu no salão do Grande Oriente Brasil, na Asa Sul, e reuniu, além dos formandos, cerca de mil convidados, senhores e senhoras de centros de convivência de idosos de todo o DF.


Criado há dez anos, o Geração III já ensinou 2,3 mil pessoas com mais 60 anos a surfar na internet, mandar e-mails e usar programas digitais de texto e de cálculos. Desde o ano passado o projeto faz parte do DF Digital, que oferece 70 cursos profissionalizantes para pessoas de todas as idades. De acordo com o secretário Izalci Lucas, os idosos interessados em fazer mais cursos podem continuar seus estudos. “Hoje, quem não conhece a informática corre risco de isolamento, inclusive em família. Sem contar os idosos que, depois de conquistarem seus certificados, voltaram a exercer alguma atividade profissional, descobrindo novas fontes de renda”, afirma Izalci.


 Agora que sabe surfar na internet, a aposentada Lo Giok Nio, 87, consegue anotar passo a passo as receitas a que assiste na televisão. “Elas passam muito rápido na TV, não dá tempo de escrever nada”, conta a indonésia, que há 46 anos mora no Brasil. “Adoro aprender coisas novas”, ressalta a sorridente Lo Giok, que não tem filhos e mora com a irmã de 89 anos. Seu sonho agora é ganhar um computador.

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