Thatyanne Nardelli
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A combinação umidade baixa e temperatura alta têm causado transtornos para parte da população do Distrito Federal. Com o tempo seco, diversos problemas surgem. Poeira, doenças respiratórias, desidratação dentre outros incomodos são reclamações cotidianas da população. O que para uns é sofrimento, para outros é trabalho.
Há pelo menos 20 anos, José Almeida, 45 anos, estaciona seu carrinho com doces e água no mesmo lugar, próximo a um banco na Asa Norte. Com a seca e o calor, ele garante, as vendas aumentaram. “Antes, saia apenas 20 cocos por dia. Com esse clima, passei a vender aproximadamente sessenta. Ou seja, lucro de 100%”, comemora José. Uma curiosidade surpreendente é que venda da fruta está acima da garrafinha de água mineral. “O coco tem saído muito mais. É porque ele além de saciar a sede, hidrata o corpo”, explica o comerciante.
Nos lava-jatos a história se repete, com a poeira invadindo os carros a principal escolha é a lavagem. “O movimento é normal, mas, a seca causa muita poeira, com isso os motorista têm lavado mais os carros”, conta o lavador de carros, Luís Paulo, de 26 anos. Mesmo com a seca os proprietários dos carros estão em alerta para economizar água. “Normalmente no tempo de chuva as lavagens caem muito”, alerta o lavador.

Muito trabalho
Com mais de 113 dias sem chuva, aproximadamente 20% do território do DF já foi queimado, quase o dobro do ano passado. Apesar das recomendações de especialistas, a maioria dos incêndios são causados por pessoas. “A ponta do cigarro no gramado, as fogueiras nos acampamentos e outros desleixos são os principais provocantes do fogo”, aponta o capitão Fábio Ribeiro, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.
Outro fator apontado pelo capitão são as queimadas feitas em terrenos rurais. Nesta época o mato está seco e os proprietários do terreno não reconhecem que um bom aceiro não é o suficiente para evitar o incêndio. “Não faça queimada nesta época do ano, o fogo não respeita os aceiros”, pede o capitão. Para controlar o fogo, o batalhão precisa estar bem equipado, este serviço não pode ser realizado por qualquer pessoa. “Em primeiro lugar ele precisa se hidratar, além de usar botas especiais e um uniforme especializado para o combate. Outra coisa indispensável é o protetor solar”, lembra Ribeiro.
Cuidados com as crianças
Na seca, o organismo perde muito líquido. Com as crianças pode ser ainda pior. Os prontos socorros ficam cheios e todas elas atribuem os mesmos problemas: dificuldades respiratórias e gastrintestinais, mais conhecidos como viroses. “Os pais devem evitar frequentar lugares com aglomeração de gente, como shoppings”, afirma a pediatra Rebeca Costa.
Os pais devem estar em alerta para sintomas das doenças que podem ser notados facilmente, como diarreia, vômitos, febre, dor de garganta e fraqueza no corpo. Os cuidados são simples, mas podem passar despercebidos no decorrer do dia-a-dia. “Muita água, os pais não podem esquecer”, recomenda a pediatra.
Perspectivas
“Todo ano, próximo da primavera, o estado fica nessa seca”, explica a meteorologista Maria Dasdores de Azevedo, do Instituto de Meteorologia. O fenômeno acontece devido a uma massa de ar seco e quente que no momento encontra-se nas regiões Centro-Oeste, Norte, Sudeste e parte da Nordeste. Dessa forma, o tempo fica aberto, com poucas nuvens e sol forte, dando lugar a toda essa névoa seca proveniente dos baixos índices de umidade.
Pelo visto o calor deve continuar pelo menos nos próximos cinco dias, a alerta vem do Instituto de Meteorologia (Inmet). A chuva só deve chegar ao DF no começo de outubro, até então, os cuidados com a hidratação do corpo devem continuar. Os médicos recomendam não fazer exercícios físicos ao ar livre entre às 10h da manhã e as 16h da tarde. O pano molhado no quarto das crianças deve ser passado pelo menos três vezes ao dia.