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Brasília

Sonho

Arquivo Geral

07/10/2016 10h41

Hoje à noite, lá pelas 21h, teremos o primeiro classificado à Série B para 2017. ABC e Botafogo de Ribeirão Preto decidirão, em Natal, uma das vagas do acesso. No jogo de ida houve empate, 0 a 0, o que significa que o time potiguar precisa vencer se quiser classificar-se (mesmo que o jogo vá para pênaltis, o ABC só passa se ganhar) – a equipe do interior paulista, que no ano passado estava na quarta divisão, subirá de novo com um empate com gols (ou se vencer, é claro). O estádio estará lotado, ainda mais que o grande rival do alvinegro, o América, caiu. Vale a pena acompanhar, estejam certos.

Quem ficar, no ano que vem enfrentará, entre outros, CSA e Volta Redonda, que subiram da quarta divisão – o time fluminense sagrou-se campeão invicto, com uma goleada no jogo decisivo, realizado em sua cidade, sábado passado, numa das poucas vezes em que o Estádio da Cidadania recebeu um público razoável (na próxima semana o Fla-Flu será lá, mas isso é conversa para depois).

E, abrindo a 30ª rodada da Série B (o funil está apertando), Náutico e Brasil de Pelotas se enfrentam, em Recife, naquela que pode ser a última chance de ambos na luta para subir à elite do futebol nacional. Quem vencer continua na luta contra Londrina, Avaí, Vasco e Atlético Goianiense. O derrotado terá de fazer contas e começar a torcer contra. O empate, como de hábito, é ruim para os dois. Se bem que, mais cedo um pouquinho, o Criciúma recebe o Vila Nova pensando exatamente nisso: vencer e um tropeço duplo. Aí, ele também entra nas contas já citadas e no processo de “secagem” contra os líderes.

Sem sabor

Vamos ser sinceros? Joguinhos sem sal ou pimenta estes do Brasileiro de quarta-feira, não é mesmo? Claro que, para as torcidas de Atlético Paranaense, Grêmio e Santos, a afirmação do colunista é completamente fora de propósito. Seus times venceram. Mas, falando francamente, mesmo os vencedores devem admitir que as partidas foram de um baixo astral sem tamanho. E não me venham dizer que a possível desmotivação aconteceu por conta do aumento de vagas na Libertadores. Ao contrário. Agora, quem estava sem chances passou a ter esperanças- casos do tricolor gaúcho e do Furacão. O que aconteceu, mesmo, foi um baixo nível impressionante, um descaso, sei lá…

Se a desmotivação fosse pelo aumento das vagas, como explicar que o Corinthians, que ainda sonha com o G-6, não tenha partido para cima do Atlético Mineiro? E, em contrapartida, o Galo, que luta pelo título, por que não mostrou-se mais efetivo no seu duelo em São Paulo? Boas foram as falas de Ricardo Oliveira, no fim do jogo contra o Fluminense, quando questionado sobre a “satisfação” de continuar na briga pelo quarto lugar, que respondeu que um time como o Santos não entra numa competição para ser quarto ou quinto colocado. E que, com poucas chances ou não, a equipe da Vila Belmiro continuaria a lutar pelo título nacional. Simples assim.

Cabeças quentes

E, se os jogos foram mornos, o que aconteceu depois dos 90 minutos esquentou o clima. Pelo menos em Santos. Na saída de campo de Fluminense e Santos viu-se que os jogadores e membros das comissões técnicas se cumprimentaram educadamente. Nada mais natural, afinal de contas, são adversários, apenas isso. Henrique, zagueiro do tricolor carioca, trocou de camisa com o santista Yuri (aliás, como é feia esta camisa azul do Santos, ainda mais toda loteada por anúncios de patrocinadores). Aí, depois de se despedirem, Henrique ficou sabendo que teria de ir ao antidoping – irritado, acabou “chutando” o que estava em suas mãos: a camisa do Santos. Pediu desculpas, patati, patatá, mas já havia feito a lambança.

Lambança, aliás, que acontecera também dentro de campo e provocou a ira de seu colega de zaga, Gum. Entrevistado após o jogo, o capitão tricolor detonou os comentaristas que criticaram uma possível falha sua no lance do segundo gol santista, o de Ricardo Oliveira. Exaltado, falou em “falha coletiva”, eximindo-se de erro. Na tentativa de desculpar-se (sinceramente não achei que ele tenha falhado), acabou misturando todo mundo e pode ter provocado um clima desagradável no vestiário – talvez, repito, talvez, tenha sido por isso que Henrique estava tão aborrecido: queria tirar logo a limpo a história da “falha coletiva”.

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