Uma situação constrangedora chega para somar os relatos de decadência da saúde no Distrito Federal. No edifício sede da Secretaria de Saúde e em unidades espalhadas pelo Distrito Federal, faltam água, café e gás. A ausência do telefone, que está cortado há meses, obriga servidores a fazer ligações dos próprios celulares.
“Não tem nem pó de café nem gás para esquentar a água. Só estão fornecendo o açúcar. Funcionários terceirizados passam nas salas para pedir dinheiro para as vaquinhas para os botijões”, contou uma servidora que atua no edifício sede, situado no fim da Asa Norte.
O relato segue sobre as linhas telefônicas mudas. “Há meses está cortado. Como pode usar o próprio celular para ligar para servidores em busca de informações? É claro que é falta de planejamento para deixar chegar nesse ponto”, criticou.
Além disso, são levantadas dúvidas sobre a gestão também nos postos de saúde e hospitais em todo o DF. “Se isso acontece na sede, imagina longe de quem administra todo o sistema”, completou.
Desde o ano passado, as notícias sobre a falta de telefone na Secretaria de Saúde são frequentes. Em um levantamento de fevereiro, a dívida com a operadora de telefonia chegava a R$ 28 milhões.
As informações não surpreendem a presidente do Sindsaúde, Marli Rodrigues. Para ela, episódios de falta de material não são casos isolados. “É só o que eu escuto. Em toda a rede, todo dia falta alguma coisa, em maior ou menor gravidade. O que fica transparente é a incompetência desse governo em conseguir fornecimento de materiais básicos de qualquer órgão público”, disparou.
A sindicalista cita ainda o fechamento dos postos de saúde para a reforma. “Quando falta dinheiro para arroz e feijão você não vai ao cinema. Gastar R$ 21 milhões para reformar postos de saúde em um momento que as coisas não funcionam bem em lugar nenhum não faz o menor sentido”, disse Marli Rodrigues.
O anúncio de que 14 unidades ficarão fechadas para reformas ocorreu na semana passada.
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Apesar do testemunho de servidores à reportagem, o fornecimento de água e de café está garantido em todas as unidades, segundo a Secretaria de Saúde. Os contratos vigentes seriam suficientes para cobrir fornecer água e pó de café semanalmente nas unidades, argumenta o órgão.
Por outro lado, a Secretaria de Saúde reconheceu o corte nos telefones da sede, mas não soube precisar qual o tamanho da dívida com a operadora. A pasta não recomenda aos servidores a compra de materiais com recursos próprios.