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Brasília

Servidor do Senado suspeito de homicídio se apresenta à polícia

Arquivo Geral

31/01/2017 17h47

Foto: Reprodução/Facebook

O servidor do Senado Argos Madeira da Costa, de 57 anos, suspeito de matar um homem durante uma confusão em uma bar na Asa Norte, se apresentou na tarde desta terça-feira (31) à 2ª Delegacia de Polícia. Em atendimento ao prazo estabelecido pelo delegado-chefe, Laércio Rosseto, ele prestou depoimento acompanhado de um advogado e foi liberado.

De acordo com Rosseto, Argos informou que praticou o ato em legítima defesa. “Ele alega que não tinha intenção de usar a arma, e que o disparo foi acidental. De qualquer forma, ele continua em liberdade por ter escapado do flagrante.”

Arma utilizada no crime, uma Glock .380. Foto: Sandro Araújo

Arma utilizada no crime, uma Glock .380. Foto: Sandro Araújo

Policiais civis realizaram buscas na residência do suspeito, onde foram encontradas duas pistolas (glock e taurus), calibres 380, com registros vencidos. Ambas as armas foram apreendidas e serão encaminhadas para exame pericial.? “Vamos analisar a legitimidade dessas armas. Precisamos ter certeza de que esse porte é realmente legal”, frisa Laércio Rosseto.

“A situação dele vai depender muito do entendimento do Tribunal do Júri. Pode ser que a prisão preventiva seja solicitada no decorrer das investigações. Se for comprovado que realmente agiu em legítima defesa, ele deve ser absolvido”, disse o delegado.

A Polícia Civil informou que prossegue na apuração do crime. “Ainda não pedimos a prisão dele. Já ouvimos três testemunhas, que se contradizem em alguns pontos, mas vamos ouvi-las novamente. Vamos estudar todas as circunstâncias do fato, o depoimento do suspeito, imagens obtidas e demais provas colhidas”, destaca Rosseto.

“Ele alega que não tinha intenção de usar a arma, e que o disparo foi acidental. De qualquer forma, ele continua em liberdade por ter escapado do flagrante”, delegado-chefe da 2ª DP, Laércio Rosseto. Foto: Sandro Araújo

Se condenado, Argos pode pegar até 30 anos de prisão pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil. Caso não seja comprovado o porte legal das armas, a pena pode aumentar mais dois anos.

Histórico violento

Argos possui um histórico violento. Existem registros por ameaça, injúria racial e Lei Maria da Penha. A vítima, Eduardo Montezuma Alves de Lima, 42, levou um tiro no peito após discussão em um bar na 312 Norte, na madrugada desta segunda-feira (30).

De acordo com a Policia Civil do DF, Argos tinha diversas armas registradas em seu nome, mas estava com o porte vencido. A polícia informou que a pistola calibre .380, utilizada durante o crime, era uma das armas pertencentes a ele.

Entenda o caso

Depois de uma noite regada a bebida alcoólica e demonstrações de ciúme, um homem de 42 anos morreu durante uma discussão em um bar na 312 Norte. Eduardo Montezuma Alves de Lima levou um tiro no peito no meio da rua, no último domingo (29), e não resistiu ao chegar ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O suspeito do crime é o técnico legislativo do Senado Argos Madeira da Costa Matos, 57, acompanhante da ex-mulher da vítima naquele dia.

Divorciada de Eduardo desde dezembro passado, Débora Rodrigues Martins estava na companhia do suspeito e de outros amigos no estabelecimento desde o fim da tarde. Eles se conheceram há uma semana em Rio Branco (AC), informou a PCDF. Já o ex-casal esteve junto por 12 anos e tem uma filha pequena. “De repente, Eduardo chegou e foi tirar satisfação na mesa de Débora. A confusão começou depois que ele deu um soco no homem (Argos), mas a situação foi controlada e o ex-marido foi embora”, contou o garçom do Chiquinhos Bar que os servia.

Em seguida, os clientes mudaram para o bar da frente, tendo em vista que o Chiquinhos estava encerrando o atendimento. “Tudo parecia calmo até o Eduardo voltar e continuar a briga no meio da comercial. O homem dizia para ninguém encostar nele porque era policial. Depois, só ouvi o barulho do tiro e a vítima caindo em frente a uma loja de cosméticos. Débora ficou desesperada, não parava de gritar”, completou o mesmo funcionário.

Segundo ele, o autor do disparo fugiu. “Entrou no carro, um Peugeot 206 sedã, que estava perto de onde Eduardo morreu, e saiu em alta velocidade. Diferentemente do casal, esse cara não frequentava o bar”, relatou o garçom, acrescentando detalhes de horas antes: “O grupo chegou cedo, por volta das 17h, e, até as 23h havia tomado 30 garrafas de cerveja. Estavam bastante alterados”.

Em depoimento à polícia, Débora contou que seu ex-companheiro chegou ao bar e a questionou por que ela não atendia o celular há dias. Em seguida, Argos teria voltado do banheiro e a chamado de “minha irmã”, o que teria deixado o ex-companheiro irritado.

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