Joyce Coelho
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Entre uma nota e outra, ainda em um tom meio desafinado, pacientes da Unidade Básica de Saúde 1 (UBS) do Itapoã aprendem a tocar violão. As aulas, bem descontraídas e cheias de animação, são promovidas todas as quartas-feiras pelo professor Frederico Leite, técnico administrativo da unidade. A atividade coleciona ganhos, como a melhora da coordenação motora, e é uma verdadeira terapia para os participantes.
À frente do projeto pela segunda vez, Frederico começou com a ministrar as aulas após receber o convite de um amigo. “Como eu toco desde criança, já tinha uma certa experiência. Então, por que não aproveitar essa oportunidade e ensinar aqueles que têm interesse em aprender? Confesso que é gratificante olhar para a turma e perceber que estou ajudando cada um”, orgulha-se. “A troca de experiência é imensa. Enquanto ensino, acabo aprendendo com eles”, completa o servidor.
Com aproximadamente dez alunos, o técnico administrativo busca auxiliar os estudantes em cada nota do instrumento. “Trabalhamos por três meses com as noções básicas do violão. A duração de cada encontro depende do desempenho dos alunos para executar a lição do dia. Aqui eles se distraem, e esquecem os problemas”, constata o professor.
Trabalho social
Para a gerente da unidade básica, Eleuza Souza, 54 anos, é uma satisfação abrir as portas para a ação. “Nossa comunidade é carente. Então, tudo que pudermos fazer para motivar nossa população, nós faremos”, garante.
Muito além da diversão, a atividade reflete na saúde dos participantes. “Já observamos mudanças em alguns alunos. Muitos tiveram melhoras na articulação, resultando até na diminuição dos medicamentos. É gratificante fortalecer o vinculo com eles por meio da atividade”, completa.
Sem idade para começar
Ainda com um pouco de dificuldade na hora de dedilhar as cordas do violão, o aposentado Francisco Gomes da Silva, 62 anos, encara as aulas como uma motivação para seus sonhos. “Não tive chance de estudar. Não sei ler nem escrever. Então, as aulas acabaram se tornando um pouco complicadas. Afinal, é difícil aprender de imediato cada nota. Mas, com minha força de vontade, eu sei que consigo vencer as barreiras e dificuldades”, conta o aluno.
Segundo o aposentado, as aulas têm ajudado bastante na reabilitação. “Eu tinha muitas dificuldades de locomoção. Meus dedos eram bem duros, não conseguia movimentar bem. As aulas me ajudaram bastante, pois, em meio aos acordes, eu pude estimular minhas mãos e, assim, reverter a atrofia que me atingia”, frisa.
Ao falar sobre o sonho de tocar na igreja, o aposentado destaca a importância do professor nesse trajeto. “Frederico é único. Ele sabe das minhas dificuldades e sempre está ali para me ajudar. Ele não desiste. Ao contrário, insiste até eu aprender. Com sua ajuda, sei que vou realizar meu sonho de tocar”, agradece.
Participe
A UBS fica na Quadra 378. Para participar, é preciso ter o instrumento e estar em dia com o cartão de vacina, como forma de incentivar o cuidado com a saúde. No fim do curso, o participante recebe um certificado.