Diz-se que a paixão tira a razão, desnorteia, faz perder o rumo. Concordo. Deixando de lado o coração, mesmo assim, há outras que causam tudo isso. Na noite de sexta-feira recebi uma gentil ligação. Era um amigo me oferecendo convites para ver, hoje, o ensaio geral da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos (sempre me irrito escrevendo assim). Feliz com a lembrança e a perspectiva, acendeu-se, porém, uma luz de responsabilidade: tem jogo do Brasileiro, preciso escrever a coluna. Pensamento registrado, convite educadamente recusado. Fim da ligação e parei para pensar: fiz bobagem. Hoje só temos uma partida pelo Brasileiro da Série A (há também um jogo da Série B, onde ontem a torcida baiana levou mais de 35 mil pessoas à Fonte Nova para ver Bahia x Vasco), o confronto adiado entre Botafogo e Grêmio (ontem, também adiado, tivemos a sofrida vitória do Fluminense sobre o Figueirense). Resultado: perdi a chance de ver o ensaio da cerimônia por ter registrada, na minha mente, a velha e boa “obrigação” dominical de acompanhar o Brasileiro para depois escrever a “SEM FIRULA”. Paixão é isso. Nos tira do rumo, faz perder a cabeça…
Só euforia
Fico pensando, com toda a sinceridade, como funciona a cabeça do torcedor. Em especial a do torcedor do Flamengo. Há poucos dias, para ser preciso logo depois da goleada sofrida diante do Figueirense no jogo de ida da Copa Sul-Americana, o time era o pior do mundo; os cartolas, todos, sem exceção, mentirosos; os jogadores não prestavam nem para amarrar as chuteiras de Nunes (que dirá de Adílio, Júnior e Zico…); e a comissão técnica… Melhor nem repetir o que ouvi. Bastou o time eliminar o Figueira, virando o jogo; e contar com a combinação de resultados (e sua vitória, claro), para chegar à vice-liderança do Brasileiro que tudo mudou. Rubro-negros se encontram, se abraçam e falam em “cheiro de hepta”. Chegam a lembrar que, em 1992, quando houve um impeachment presidencial (Fernando Collor de Mello), o Flamengo também era dado como eliminado do Brasileiro e acabou campeão – este ano já tivemos um impedimento de presidente, o Flamengo era considerado carta fora do baralho… E viva o torcedor brasileiro.
Selecionada
Voltando ao primeiro item da coluna de hoje, não custa lembrar que estamos sem rodada do Brasileiro porque a seleção brasileira está reunida para jogar pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Jogou quinta-feira no Equador (felizmente venceu) e vai jogar de novo, terça-feira, desta vez em Manaus, contra a Colômbia. Aí, voltando ao segundo item de hoje, devo pedir cautela aos leitores com a euforia que tomou conta de muita gente após a boa exibição contra o Equador. Não temos, ainda, um time formado. Na verdade, estamos longe disso. Talvez o grande ganho que Tite tenha conseguido, até agora, foi mostrar (será que conseguiu mesmo?) a Neymar que ele é um grande jogador, mas não resolverá nada sozinho. E, se doar-se um pouco mais ao time, ganharão todos – inclusive ele, como aconteceu no jogo de estreia da nova comissão técnica. Para a partida contra a Colômbia o mais importante será manter a seriedade. O Brasil pode, finalmente, entrar no G-4, afastando pelo menos temporariamente, o fantasma de não se classificar para o próximo Mundial.
Surpresa boa
Bom brasileiro que sou, fiquei descansado para comprar ingressos para os Jogos Paralímpicos (mais uma vez registro minha irritação em escrever assim). Pensei que, como aconteceu com a Olimpíada, teríamos levas e levas de “novas oportunidades”. Estava (estou) interessado, principalmente, na natação, no tênis, no basquete e no atletismo. Principalmente porque meus pequenos demonstraram enorme satisfação em ver “os exemplos de superação que os atletas nos dão” (palavras do mais velho).
Como trabalho e eles estudam, minha preferência, claro, foi buscar ingressos para o fim de semana, não importando se sábado (todo o dia) ou domingo (até o início da tarde). E não é que não consegui unzinho sequer, até agora? Os ingressos dos fins de semana estão esgotados (pelo menos até agora). Fico sinceramente feliz com isso. Tomara que tenhamos muitos torcedores nas arquibancadas vibrando com nossos atletas.