Raphaella Sconetto
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Quem precisa ir para o Setor de Clubes Sul de transporte público, principalmente os funcionários dos clubes, enfrenta dificuldades na hora de atravessar a via que dá acesso à Ponte JK (Juscelino Kubitschek). O problema é que lá não existe faixa de pedestres ou passarela, e as opções que sobram são se arriscar atravessando na via, que é de 80km/h, ou gastar mais dinheiro para pagar outra passagem de ônibus.
Maria Aparecida Brito, de 37 anos, é cozinheira de um dos clubes e precisa, todos os dias, atravessar a rua para conseguir pegar um ônibus. “A gente se arrisca entre os carros. Já fiquei várias vezes esperando por mais de meia hora para conseguir atravessar. Hoje (ontem) é que está tranquilo, porque consegui sair mais cedo do trabalho. Nos horários de pico, a situação piora”, critica.
Além dela, outros funcionários relatam o mesmo problema. O copeiro Érico Fernandes, 37 anos, está com o carro estragado e, por isso, precisa pegar ônibus para ir para casa. “Temos muita dificuldade de passar de um lado para o outro, principalmente no fim da tarde. Aí ou tem que ter carro, pegar carona ou então se arriscar em atravessar”, afirma Fernandes.
Com medo da travessia, há quem prefira pagar um ônibus a mais. É o caso da secretária Edileide de Oliveira, de 31 anos, que trabalha no CCBB e mora no Mangueiral. O ônibus que ela pega para ir embora passa do outro lado da via, mas ela prefere não atravessar a rua. “Vou para a parada para pegar um ônibus para a Rodoviária e de lá pego outro para a casa. Ele passa aqui, mas não consigo atravessar”, relata Edileide.

Data:10-07-2017 Sem passarela no setor de clubes sul
Edileide de Oliveira
Foto: John Stan
Ponto de vista
As vias do Distrito Federal ainda precisam dar mais atenção para quem anda a pé, começando pelas calçadas, que possuem desnível ou que não são bem iluminadas, afirma especialista. No caso da pista que dá acesso a Ponte JK, conforme relatado na reportagem, os trabalhadores correm riscos ao atravessar a via, que possui uma alta velocidade e não existe faixa de pedestre ou passarela.
De acordo com o professor da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques, especialista em trânsito, o ideal é que naquela região seja feito um estudo especial para os pedestres. “A geometria da via dificulta a visibilidade. Então, requer um tratamento próprio com a interrupção com semáforo ou então uma travessia em desnível – seja subterrânea ou em passarelas”, propõe o professor.
Ainda segundo o professor, o DF ainda trata mal quem quer andar a pé. “A circulação de pedestres é precária. A forma que está sendo tratado leva o pedestre para cima ou para baixo, mas é sempre o pedestre o que sai para viabilizar a circulação dos automóveis”, finaliza Marques.
Pouca opção de transporte
Somado à falta de segurança para os pedestres, os trabalhadores criticam a pouca oferta de transporte público. “Não tem parada ali (no sentido Plano Piloto-Lago Sul), só tem uma lá em cima ou depois da ponte. E só uma linha de ônibus que vem para cá”, comenta Érico Fernandes.
O grande número de acidentes e a velocidade da via também são preocupações. “Os carros vêm em alta velocidade. Imagina como a gente fica em saber das histórias de acidente”, diz Maria Aparecida. “Muita gente vai para a Rodoviária com medo de atravessar. Os carros passam em alta velocidade. É um risco que a gente passa por aqui”, conclui Edileide de Oliveira.
Versão oficial
Em nota, o Detran-DF informou que já realizou um estudo sobre a circulação de pedestres na via de acesso à Ponte JK, e já descartou a sugestão de implantação de faixa de pedestre por conta do risco ao pedestre em função do intenso tráfego na região, velocidade e inclinação da via.
“Na avaliação do Departamento de Trânsito, as alternativas viáveis seriam passagens aéreas ou subterrâneas no local, entretanto, o órgão não realiza obras. Além de redutores de velocidade colocados ao longo da via, o Detran mantém viaturas fazendo o patrulhamento constante no local”, alega o órgão.
O DFTrans, também em nota, esclareceu que há 35 linhas que passam nas duas vias de acesso à Ponte JK – sentido Lago Sul/Setor de Clubes Sul e vice-versa. E acrescentou que irá enviar uma equipe técnica para avaliar a necessidade de construção de novas paradas de ônibus nessa região.