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Secretaria do Meio Ambiente conduz pesquisa sobre capivaras no Lago Paranoá

A pesquisa do SEMA com a Universidade Católica segue sendo feita e com foco no principal objetivo, que é ter material de estudo para embasar políticas públicas para o cuidado animal e ambiental e encontrar soluções para a situação

Por Arthur Ribeiro
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Na última segunda-feira (13) um homem foi atacado por uma capivara enquanto nadava no Lago Paranoá, na área do Clube da Aeronáutica. Com a relevância do assunto e a comemoração da Semana do Cerrado, cujo Dia Nacional foi celebrado no dia 11 deste mês, a Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), com apoio do Projeto CITinova, realizaram um webinário no qual um dos painéis foi a respeito de um estudo sobre capivaras na orla do lago.

A SEMA está realizando uma pesquisa em conjunto com a Universidade Católica de Brasília para estudar sobre a espécie, visando a identificação e o monitoramento desses animais na região do Lago Paranoá. A coordenadora do estudo, Helga Wiederhecker, diz que parte do objetivo é que se conheça mais sobre as capivaras, principalmente para a população reconhecer que são animais selvagens, e por mais que na maioria das vezes não demonstrem um comportamento agressivo, ainda assim devem ser observadas com distância.

Wiederhecker também afirmou que esta é a primeira semana da coleta de dados sobre a quantidade de indivíduos da espécie que se encontram no DF. O pesquisador José Roberto Moreira aproveitou para esclarecer que possivelmente não há uma superpopulação aparente de capivaras, mas somente uma impressão, já que os bichos estão mais acostumados com as pessoas e por isso são mais vistos.

Ele também abordou sobre as opções de controle populacional, que é um tema muito mais complexo por ser algo para sempre, não apenas uma solução breve para um problema. “Temos que lembrar que a população (de capivaras) está com recursos do ambiente disponíveis para ela, seja em alimentos, áreas de abrigo ou acesso para acasalamento, e quando você reduz o número de indivíduos da população, você está aumentando todos esses recursos para aqueles que ficam. Então, geralmente quando se tenta fazer um controle de população, o que acontece é uma explosão no número de indivíduos, porque aqueles que ficam lá tem o aumento da fertilidade, pois aumentam os recursos do ambiente disponíveis para eles. Um controle é algo constante e permanente, por isso que temos que ver a disponibilidade e disposição dos governos em fazer esse tipo de ação”, disse.

Além do controle populacional, o pesquisador salientou que a ideia de eliminar ou transferir membros da espécie também são cenários complicados, já que o primeiro cenário é suscetível ao repovoamento e o segundo requer um estudo para achar um outro local adequado, mas ainda assim é difícil pois seria apenas uma mudança do lugar do problema e não uma solução.

Thiago Silvestre, membro do Brasília Ambiental, explicou que, apesar de ser artificial, o Lago Paranoá é abastecido por diversos afluentes, que, por sua vez, trazem com eles, além de água, alguns animais como peixes, jacarés e as próprias capivaras. A presença desses bichos de maneira mais concentrada na Orla também se dá pela presença dos condomínios no local, que acabam diminuindo os espaços para os animais ficarem.

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O biólogo também pediu a conscientização das pessoas para o convívio mútuo com os bichos. “Toda orla do Lago Paranoá é uma área de preservação da vida silvestre. Várias dessas áreas estão ocupadas, mas era um espaço para a fauna e flora estarem ali. Essa harmonia entre as pessoa que frequentam essas áreas, como o Pontão do Lago Sul, é muito importante, pois é um privilégio muito grande estarmos vendo esses animais, não podemos simplesmente querer que eles vão para algum lugar e a gente fique lá a vontade, porque é o lugar deles também”, avisou.

Sobre os cuidados, os discursantes avisaram que as capivaras são dóceis por natureza, mas que os animais silvestres costumam atacar quando se sentem ameaçados, então reforçam a importância das interações serem sempre a distância. Além disso, também pedem o discernimento de, quando as pessoas estiverem em uma área com capivaras, observar o local para ver se os bichos estão ali ou se tem pegadas, para poder se precaver. Ainda assim, não significa que elas sempre irão atacar caso passe perto delas.

A pesquisa do SEMA com a Universidade Católica segue sendo feita e com foco no principal objetivo, que é ter material de estudo para embasar políticas públicas para o cuidado animal e ambiental e encontrar soluções para a situação. Por fim, Helga reforça: “O Distrito Federal abriga a capital de um dos países mais ricos em biodiversidade, e essa posição demanda uma forte responsabilidade em relação à proteção das nossas espécies. Este trabalho permitirá identificar onde a espécie ocorre, qual o tamanho dos grupos e relacionar estas informações com estudos anteriores para a orla do lago. Com isto, conseguiremos descobrir as melhores formas de evitar acidentes como o ocorrido esta semana e promover políticas públicas para uma cidade sustentável”.

Recapitulando, nesta segunda-feira, um homem foi atacado por uma capivara enquanto nadava no Lago Paranoá. O momento foi flagrado por uma outra pessoa que registrava o momento. No vídeo, é possível identificar o animal nadando em direção ao banhista, que estava mergulhando, até que a capivara sobe em suas costas e o morde próximo ao ombro e depois sai pela água. O ocorrido foi na área conhecida como “piscina dos barcos”, local onde as embarcações ficam ancoradas.

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Em fevereiro, outro caso semelhante também ocorreu no Lago Paranoá. Um homem praticava exercícios dentro da água até que foi surpreendido por uma capivara, que o mordeu na perna e na mão, resultando em 40 pontos. O caso ocorreu no condomínio Life Resort.








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