Servidores da Casa Abrigo, responsável pelo acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica, foram surpreendidos por um documento consultando sobre o interesse de 12 dos 35 funcionários em deixar o equipamento público da Secretaria da Mulher do Distrito Federal (SMDF). A medida pode reduzir o número de vítimas atendidas e aumentar o risco de feminicídio na Capital Federal.
A Casa Abrigo é um equipamento público destinado a receber mulheres com risco iminente de feminicídio. Ela pode atender, atualmente, até 40 vítimas de violência doméstica e seus filhos menores – filhos homens, até 12 anos. Por esse motivo, o presidente do Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc-DF), Clayton Avelar, alerta que a medida pode criar dificuldades para um equipamento sensível.
“Estamos trabalhando com vidas. Hoje temos uma capacidade de atendimento de 40 pessoas, que são as mulheres e seus filhos menores. Se reduzir o número de servidores, diminuirá o número de atendidas.”
O risco das remoções, de acordo com o sindicalista, vai além do não atendimento de mulheres, mas do risco para a vida delas e dos seus filhos. “Mais mulheres ficarão suscetíveis a serem vítimas do feminicídio, porque a Casa Abrigo protege mulheres que estão sob risco de morte”, completa
Remoções
Contrário às remoções, o Sindsasc-DF deu início a um movimento para evitar que os servidores sejam removidos do equipamento de proteção às mulheres. “Nós acreditamos que esse documento pode gerar uma remoção de ofício, quando o servidor é removido do seu local de trabalho contra a sua vontade. Se isso acontecer, a Casa Abrigo perderá 30% do seu pessoal, e isso compromete a capacidade de abrigamento”, destaca.
“Estamos iniciando um movimento em defesa da Casa Abrigo e o mesmo devemos fazer em relação a Casa da Mulher Brasileira (CMB), porque temos conhecimento que há também uma discussão interna, na Secretaria da Mulher, visando retirar servidores do núcleo de acolhimento da CMB”, conclui.
Resposta
Em resposta a nossa reportagem, a Secretaria da Mulher do DF informou que enviou um comunicado interno consultando servidores sobre o interesse voluntário em mudar de lotação, que, de acordo com a pasta, baseia-se em estudos técnicos para otimizar e distribuir melhor a força de trabalho, acompanhando a expansão da Secretaria, que saltou de 14 para 31 equipamentos públicos nos últimos anos.
A pasta assegurou, ainda, que o atendimento humanizado e especializado às mulheres em situação de violência não sofrerá prejuízos ou precarização. Diferentemente do que afirmaram os servidores, a Casa Abrigo (que atendeu 115 mulheres e dependentes entre janeiro e abril de 2026) e o Alojamento de Passagem da Casa da Mulher Brasileira continuarão funcionando normalmente.
A pasta diz que no último ano, foram abertos quatro novos Centros de Referência da Mulher Brasileira, focados em atendimento psicossocial, orientação jurídica e capacitação para autonomia financeira.
O texto reforça a importância de denúncias via Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) e Polícia Militar (190). Destaca também o programa Viva Flor (da Secretaria de Segurança Pública do DF), que monitora em tempo real mais de 1,8 mil mulheres em situação de risco, registrando taxa zero de feminicídio entre as participantes.
Concurso
A SMDF afirmou, ainda, que foi publicado no dia 14 de maio o edital do concurso para a carreira de Desenvolvimento e Assistência Social. Serão destinadas 368 vagas especificamente para a Secretaria da Mulher, com provas previstas para o dia 6 de setembro.