Com 10 anos de existência, o sebo Givaldo Discos, na Guariroba, em Ceilândia Sul, reúne uma coleção de mais de 20 mil discos de vinil de diferentes gêneros musicais. Ao adentrar o local, os brasilienses e até turistas, ficam encantados ao encontrar os grandes clássicos da música brasileira e internacional. Em uma imersão no tempo, a loja se assimila às tradicionais dos anos 80, com toca-discos, CDs, aparelhos de DVD, telefones, TVs e câmeras fotográficas antigas, além de máquinas de escrever.
Ao Jornal de Brasília, o proprietário da loja, Givaldo Nunes, 51 anos, contou que o local recebe pessoas de diferentes idades e lugares, e que, inclusive, os discos de vinil estão sendo procurados cada vez mais pelos mais jovens. “Hoje, por incrível que pareça, a juventude está consumindo muito. Para vocês terem uma ideia, a minha primeira cliente comprou um disco do Capital Inicial, e ela era uma garotinha, deveria ter entre 15 e 16 anos. A garotada está consumindo muito, e estão resgatando as músicas antigas, estão escutando músicas da época em que eles nem eram nascidos”.
“Quando eu vejo um jovem consumindo Raul Seixas, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Clara Nunes eu acho muito bacana, e vejo que nem tudo está perdido”, completou Givaldo. Neste mês de junho, a loja completa 10 anos de história, e os principais discos procurados ao longo desses anos são os clássicos Raul Seixas, Tim Maia, Legião Urbana, Belchior e Jorge Ben Jor. Dentre os internacionais estão: Metallica, Nirvana, Beatles e Pink Floyd.
Para Givaldo, a loja é um sonho realizado, desde criança ele já era apaixonado por música e discos de vinil. Aos poucos, a paixão tornou-se um empreendimento. Mas antes desse dia chegar, houve muitos questionamentos, inclusive de amigos próximos. “Desde criança eu coleciono discos e já ia em sebos e ficava admirado com aquele ambiente. Com o tempo fui adquirindo cada vez mais discos. Cheguei a trabalhar também em lojas de discos, na época em que o vinil já tinha sido substituído pelo CD”, comentou Givaldo.

“Acabei trabalhando em outras áreas também, mas sempre com aquela saudade dos sebos e colecionando discos em casa. Até que um dia decidi voltar ao ramo, mas sendo proprietário de uma loja. Quando eu tomei essa decisão, decidi também que iria trabalhar apenas com discos de vinil. Quando eu montei a loja, teve amigos meus que falaram que eu era louco e que estava andando para trás porque estávamos na era do MP3 e pendrive. Depois de uns três anos, esses mesmos amigos voltaram e falaram que eu fui visionário porque o negócio estava bombando”, lembrou Givaldo.
Desde o início, Givaldo queria a loja igual as que visitava na sua infância e adolescência: “Quando entramos na loja parece que estamos nos anos 80, eu não quis nada moderno. Na parte decorativa, a minha ideia era trazer o cliente para um túnel do tempo. Além dos discos, as pessoas podem ver aqui câmeras fotográficas, máquinas de escrever, tênis e garrafas de refrigerantes antigas. É isso que complementa o ambiente”.
Muitos clientes acabam confundindo, e acabam querendo comprar também os itens decorativos. Na busca de sempre satisfazer a freguesia, Givaldo em alguns casos acaba vendendo as peças ilustrativas (toca-discos, CDs, aparelhos de DVD, telefones, TVs e câmeras fotográficas antigas, máquinas de escrever e entre outros), além dos discos de vinil. Em outros casos, as peças da decoração também podem ser alugadas, mas os discos são apenas vendidos.
Manter o acervo de discos de vinil não é fácil, Givaldo conta que costuma visitar outros sebos com frequência, até em outras cidades, para renovar a sua coleção e atrair cada vez mais clientes: “Nós somos comerciantes, mas ao mesmo tempo, somos consumidores. Então, temos que ir para a batalha e para o garimpo também. Tem vez que eu viajo para garimpar mais discos, sempre que saio já procuro uma loja ou na internet para adquirir mais discos. Nós temos que renovar o estoque diariamente porque se o cliente vem mais de uma vez e não ver nada novo, ele não volta mais”.
Paixão por Ceilândia
Givaldo nasceu na Paraíba, mas veio morar com seis meses de vida na Ceilândia, no Distrito Federal. A cidade e o comércio local, onde está situada a loja Givaldo Discos, na Quadra EQNN 22/24, tem um grande valor sentimental para o comerciante: “Eu já recebi propostas para sair de Ceilândia, mas daqui eu não saio. Eu tenho toda uma história de vida nessa cidade, estou tipo enraizado aqui e daqui não pretendo sair”, falou.
Em Ceilândia, Givaldo criou os seus dois filhos mais velhos, e agora, está podendo mostrar todo o mundo do disco de vinil para o mais novo, Pedro, de apenas cinco anos. “Para o meu filho mais novo, tudo na loja é um encanto. O nome de todos os meus filhos foram escolhidos a partir da música, o do mais novo é Pedro por causa de uma música do Raul Seixa, O Meu Amigo Pedro. O outro se chama Raul, por conta do Raul Seixas e a minha filha se chama Loreena por causa da cantora Loreena Mckennitt”.
Para Givaldo, a música é mais que cultura, é um estilo de vida e terapia: “Através da música aprendemos muita coisa, uma letra de uma música tem sempre uma mensagem por trás. Não podemos ouvir música apenas por ouvir, temos que parar e pensar o que aquele artista quer transmitir. A música é terapia, e serve para todos os momentos, se você está feliz ou triste. Eu costumo dizer também que a música é uma máquina do tempo, ela te faz ir no passado, presente e futuro”.