A espera interminável por atendimento nos hospitais públicos do DF tem feito com que os pacientes desistam de insistir e muitas vezes também, de voltar a buscar ajuda nos hospitais quando necessitam. O problema é constantementemente enfrentado por milhares de pessoas no DF, independentemente do hospital. De acordo com o Promotor de Justiça Jairo Bisol, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), isso acontece porque falta investimento na rede pública, pois quase todo o dinheiro destinado aos hospitais é gasto de forma exorbitante.
Se por um lado a população cresce a cada ano, por outro, o índice de atendimentos nos hospitais da rede pública diminui. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o menor número de atendimento médico dos últimos cinco anos foi em 2009.
Segundos dados do Ministério Público, os recursos voltados para a Saúde são em torno 3,75 bilhões. O valor é dividido para pagamentos pessoais, custeio de folha, vigilância, alimentação e limpeza, leitos das UTIs, UTIs de ações judiciais, serviços assistenciais terceirizados e manutenções de equipamentos. Por fim, do valor inicial, restam em torno de 150 milhões para investir no desenvolvimento dos hospitais o que é “inviável”, de acordo com o Promotor Bisol.
contratos milionários
“A maioria dos serviços dos hospitais da rede pública é terceirizada, e contratos terceirizados são muito caros e acabam com orçamento. Enquanto isso acontecer não teremos uma evolução na saúde pública do DF.A alternativa para resgatar esta saúde pública é organizar serviços públicos mais baratos, desfazer os contratos milionários e fazer um melhor aproveitamento. Em todos os hospitais a cena é exatamente a mesma. Falta de estrutura administrativa, falta de médicos, falta de enfermeiros, sem falar em outras necessidades. São inúmeras”, explica ele.
De acordo com a SES, mais de 20 mil pessoas aguardam atendimentos nos hospitais da rede pública. Os casos mais graves recebem tratamento prioritario no atendimento.O tempo de espera é maior para as cirurgias ortopédicas, são 5.350 pacientes na espera. Em segundo lugar vêm as cirurgias cardíacas com 4.241 pessoas aguardando o procedimento. Na oftalmologia são 1.350 casos e a otorrinolaringologia tem 3.004 pacientes aguardando. Na fila para cirurgias pediátricas já são 830 crianças e para neurocirurgias são 1.200. A urologia tem 617 e a proctologia tem 339 pessoas aguardando.
No Distrito Federal, a Lei 2.547/2000 estabelece que ninguém pode passar mais de 30 minutos em filas em locais como consultórios médicos particulares e públicos, bancos, concessionárias de serviço público, Procon e cartórios.
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