A Regional de Saúde do Guará, aparentemente pequena em relação ao volume de atendimentos – se levarmos em conta Taguatinga e Gama, por exemplo – faz bonito em termos de criatividade e desempenho. Com diversos programas inovadores, como apoio para deixar de fumar por meio da acupuntura, e acompanhamento passo a passo da insuficiência cardíaca, atrai usuários de várias cidades e sofre um efeito pouco conhecido, denominado “rebote da pressão do entorno”.
Segundo a diretora regional de saúde, Maria Jocilda Guimarães, para o Guará acorrem diversos pacientes que não conseguem atendimento em suas cidades de origem devido à grande pressão pela demanda vinda do Entorno, como é o caso do Gama, Taguatinga e Ceilândia. “Procuramos atender essa demanda da melhor forma possível, tanto que o nosso pronto socorro conta com um acolhimento onde o paciente é ouvido e orientado e os casos mais graves são levados imediatamente ao médico”, explica.
A Regional, que engloba o hospital, três centros de saúde, um laboratório regional, um Centro de Atendimento Psicossocial-álcool e drogas (CAPS/AD) e dois postos de saúde (no Lúcio Costa e na Estrutural) trabalha com o projeto de Acolhimento em todas as suas unidades. No Posto da Estrutural, onde funcionam cinco equipes do Programa Saúde da Família – uma próxima ao Lixão- o usuário é recebido e encaminhado à equipe responsável pela área de sua residência. Além disso, as seis equipes contam com contribuição do Núcleo de Apoio em Saúde da Família, composto por médicos clínico e pediatra, ginecologista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo , nutricionista e assistente social.
“Trabalhamos com o paradoxo. De um lado temos uma população classe média alta e, de outro, usuários que vivem da cata do lixo. É por isso que as pessoas questionam nossos índices de ocorrências, como por exemplo de mortalidade infantil, considerados altos para quem mora no Guará”, explica Jocilda.
Tal diferença não é decisiva para as equipes multiprofisisonais que atuam no Guará. Desde o aposentado que busca no hospital um serviço de qualidade e próximo de casa, como o morador da Estrutural que não tem convênio, recebem o mesmo tratamento. Três ambulâncias ficam à disposição o tempo todo no hospital para levar os pacientes para os demais hospitais da rede, ou da estrutural para o Hospital Regional do Guará (HRGu) .
Informatização
Outro avanço importante no HRGu é que todos os setores estão informatizados. “Somos o segundo hospital sem papel da rede – o primeiro foi o de Samambaia- e em todos os terminais temos condições de checar quantos pacientes aguardam consulta, quantos estão internados, quais passaram pela visita médica e as observações contidas nos prontuários”, ressalta a diretora da regional.
A informatização também permite que, dentro do consultório, o médico saiba a história do paciente, quais exames foram feitos, o resultado do hemograma e tudo o que é necessário saber para a prescrição do medicamento. Em seguida, na farmácia, o medicamento pode ser retirado sem que o paciente tenha que levar a receita, pois a mesma está contida na ficha que foi preenchida eletronicamente pelo profissional.
Programas de destaque
A medicina natural também está presente no HRGu. Grupos de pacientes que querem parar de fumar ou com fibromialgia fazem acompanhamento com médicos acupunturistas, enfermeiro e psicólogo. As sessões podem ser em grupo ou individuais, dependendo do caso, com usuários encaminhados pelos centros de saúde do Guará.
Toda segunda a quinta-feira tem geriatra no hospital e uma vez por mês a equipe dessa especialidade reúne cuidadores e parentes de pessoas com doença de Alzheimer. O encontro é uma oportunidade para a troca de experiências e para que os parentes saibam que a família precisa estar atenta porque o diagnóstico precoce permite maior chance de êxito no sentido de melhorar o desempenho, como no de retardar a evolução natural da doença.
Outro programa que chama a atenção é o grupo de pacientes com Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), o conjunto de sinais e sintomas decorrentes do mal funcionamento do coração, quando este não está sendo capaz de bombear o sangue em direção aos tecidos e suprir a necessidade de oxigênio e nutrientes do organismo.
Dois cardiologistas e uma equipe multiprofissional acompanham cerca de 180 pacientes cadastrados de todas as cidades do DF. Para entrar no programa, que acompanha os pacientes de forma a mantê-los compensados e longe das alas de internação hospitalares, os profissionais orientam, fornecem medicação e montam grupos onde são repassadas informações e experiências que ajudam os pacientes no controle da doença.
Também no Guará, 80 famílias são beneficiadas diretamente com a Internação Domiciliar. São casos de pacientes terminais, principalmente com câncer, ou com incapacitações como a tetraplegia. Atualmente as equipes com médico, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta , enfermeiro e auxiliar de enfermagem visitam os pacientes em casa. Os mais graves recebem visita semanal e os menos graves, mensal.
O atendimento é feito sempre com a presença do cuidador do paciente, a quem a equipe ensina os cuidados que deverá adotar. Os pacientes inseridos no programa recebem fraldas geriátricas, medicamentos, soro e material de curativo. A média de visitas diárias é de residências, e inclui também o serviço de oxigenoterapia (administração de oxigênio numa concentração de pressão superior à encontrada na atmosfera).