Quem bebe da água de São Sebastião, medical sempre volta. Isso é o que diz Antônia Telles de Mello, 72 anos, pioneira da cidade que completa 16 anos amanhã. Dona Antônia, como é conhecida pelos moradores, vive em São Sebastião desde 1981. Ela acompanhou todas as transformações, que fizeram do núcleo rural uma cidade.
Mineira, natural de Divinópolis, ela se mudou com a família para Brasília em busca da casa própria. Morou em Sobradinho, no Guará e no Plano Piloto, mas foi em São Sebastião que criou raízes.
A cidade onde mora Dona Antônia é jovem. Antes parte do Paranoá, São Sebastião foi promovida a Região Administrativa em 1993, mas sua história remonta aos tempos da escravatura. O núcleo urbano cresceu nas áreas dessas propriedades centenárias. Com a construção de Brasília, as terras foram desapropriadas para a construção de olarias. A matéria-prima para fazer os tijolos vinha do leito do Rio São Bartolomeu, de onde se retirava argila e areia.
Algumas dessas olarias funcionam ainda hoje, causando problemas ambientais. “Muitas delas já foram desativadas, mas algumas conseguiram liminares para continuar funcionando”, conta o administrador da cidade, Alan Valim, que assumiu o cargo há quatro meses. De acordo com ele, há projetos para a recuperação da área degradada.
Parque do Bosque
Há também um programa de melhoria do Parque Ambiental do Bosque, que tem 150 mil m2. Valim acredita que as obras vão valorizar a área e afastar a criminalidade. “Temos problemas com prostituição e tráfico de drogas no parque. Com a reforma, isso vai mudar”. Estão planejadas construções de ciclovias e pistas de caminhada. Segundo ele, a Novacap começa as obras na próxima segunda-feira. O parque deverá ficar pronto em 90 dias.
A cidade mudou muito com o passar dos anos. Dona Antônia conta que a vida era difícil, quando ela se instalou em São Sebastião. “Eu morei aqui por dois anos sem luz. Usava um botijão para acender o lampião e me acostumei a tomar banho frio”, lembrou.
A urbanização demorou muitos anos para chegar. Asfalto só existia na DF-463. “Era um poeirão. Andar pela rua era ter a certeza de voltar para casa com as canelas todas cobertas de barro.” Apesar disso, ela diz que todo o trabalho valeu a pena. “Tudo o que tem nessa cidade foi a população que conquistou. Aqui há um clima de amizade igual de interior. Todos se cumprimentam na rua. Tudo evoluiu muito, mas as pessoas continuam unidas”, refletiu.
Para comemorar o desenvolvimento e a história da cidade, a Administração de São Sebastião organizou um mês de festividades. Um dos tradicionais eventos da festa é o desfile cívico, com a participação do Corpo de Bombeiros, Polícias Civil e Militar, soldados do Exército Brasileiro, além de alunos de seis escolas da cidade. Um bolo de 16 metros de comprimento será cortado amanhã ao meio-dia.
Além disso, uma sessão solene da Câmara Legislativa será realizada em homenagem a cidade, às 9h , na Paróquia Santo Afonso. Várias outras atividades, como competições espotivas de vôlei, futebol e atletismo serão realizadas até o dia 28. Durante os dias de festa, os organizadores esperam um público de 3,5 mil pessoas.