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Brasília

Saiba mais sobre o pai que prendeu as três filhas

Arquivo Geral

20/05/2013 7h17

Sob efeito de álcool, um homem manteve reféns por quase dez horas as próprias filhas (três crianças, de 8 meses, 5 anos e 8 anos) dentro de um apartamento na QR 122, em Samambaia Sul. A negociação da Polícia Militar com o auxiliar de eletricista durou até o início da tarde de ontem.

 

O diálogo foi travado por uma pequena janela na lateral do prédio. Por volta das 14h35, logo após Adeílson Silva Menezes, 41 anos, ter liberado a filha mais velha, policiais invadiram a residência pelo telhado de uma casa vizinha e o prenderam. A polícia utilizou arma não-letal, conhecida como taser, e gás lacrimogêneo para imobilizá-lo. 

 

Bebê

O pai chegou a liberar a bebê de colo ainda pela manhã em razão do choro contínuo da menina. As outras duas irmãs foram resgatadas por equipe da Polícia e do Corpo de Bombeiros no início da tarde. Momentos antes de Adeílson liberar as filhas, ele exigiu uma entrevista gravada com a imprensa. 

 

Disfarçados de jornalistas, dois policiais se caracterizaram com microfone, câmera e colete de um veículo de comunicação. A técnica resultou na prisão do homem por uma equipe da tropa de elite. A suspeita era de que ele estaria armado com uma faca.

 

Drama

O drama começou por volta das 5h de ontem, quando o homem teria chegado em casa embriagado após passar a madrugada com amigos em um bar na esquina da rua onde mora. Adeílson começou uma discussão com a mulher e a agrediu com tapas. Logo depois, a teria expulsado de casa. Eliete Marta Barbosa, 29, não teria conseguido levar as filhas. Já fora da residência, escutou as ameaças do marido em pôr fogo no apartamento.

 

Em razão das intimidações, a dona de casa acionou a polícia, que iniciou as negociações. A energia elétrica do apartamento foi cortada. 

 

Barricada

Para impedir a entrada da polícia, Adeílson fez uma barricada na porta do apartamento com geladeira e fogão. O comandante da operação e responsável pelo 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente coronel Giuliano Costa, conta que o homem não resistiu à prisão e se limitou a explicar o motivo de ter feito as filhas reféns. 

 

“Realizamos uma busca minuciosa na residência e não encontramos nenhuma arma.  As crianças estavam debilitadas e traumatizadas psicologicamente em função do tempo”, aponta.

 

Bebida teria causado o comportamento

Já na delegacia, a cunhada de Adeílson, que preferiu não ser identificada, conta que a irmã ultimamente reclamava do marido. Segundo a atendente de 34 anos, após ter perdido a mãe, o homem começou a ingerir bebida alcóolica. “Sem beber ele é uma ótima pessoa e um pai dedicado, mas quando bebe vira agressivo. Minha irmã falava que já tinha perdido as perspectivas com ele nesses últimos tempos, pois ele chegava a bater nela com murros e tapas”, conta.

 

A proprietária do bar onde Adeílson frequentava, Maria Aparecida de Castro, destaca que, na noite anterior, o homem estava ingerindo dois litros de bebida destilada com amigos. “Cheguei às 22h e eles já estavam bebendo. Fechei o bar, por volta de 1h30, e eles continuaram aqui”, diz.

 

Descontrole

“Ele criou uma situação que não tinha mais como retornar. Com a presença da Polícia Militar, o homem ficou com medo de retaliações e deu início a uma série de exigências, como colete a prova de balas e até delegado. Ele ficou com medo e assustado quando percebeu que estava cercado”, aponta Daniel Mesquita, delegado plantonista da 32ª DP (Samambaia Sul), que investiga o caso.

 

Adeílson se diz arrependido. No entanto foi indiciado por cárcere privado qualificado juntamente com a Lei Maria da Penha.

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