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Brasília

Sai tarifa na conta de água, entram reajuste e pressão por economia

Arquivo Geral

16/05/2017 7h00

Atualizada 15/05/2017 23h01

Foto: Divulgação

Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília

Operíodo de seca chegou e a incerteza em relação ao racionamento de água também. Foram estipuladas metas para o reservatório do Descoberto – que abastece 65% da população – e, caso o volume fique abaixo do previsto, o segundo dia de corte no fornecimento pode ser colocado em prática. Já a tarifa de contingência, equivalente a 40% do valor da conta para quem consome acima de 10 mil litros por mês, será suspensa a partir de junho. Por outro lado, começa a valer o reajuste anual, de 3,1%.

O recado foi bem claro: a população precisa colaborar para que os reservatórios não atinjam níveis ainda mais preocupantes. Com a falta de chuvas característica deste período do ano, os consumidores precisarão trabalhar para o alcance da meta.

Nos reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, os níveis eram de 89,2% e 74,7%, respectivamente, em abril do ano passado. Na mesma época deste ano, as marcas atingidas foram de 56,4% e 53,9%.

O diretor-presidente da Adasa, Paulo Salles, não descartou o segundo dia de racionamento de água, assunto que foi rumor nas últimas semanas. Para que isso aconteça, o nível precisa ser menor do que o previsto pelos técnicos da agência. “As medidas que serão tomadas dependerão do andamento dessa curva que mencionamos aqui agora. Se as curvas forem atingidas, não haverá necessidade de um segundo dia de racionamento”, explicou.

Limite

As metas da Adasa estipulam que, até outubro, o reservatório do Descoberto esteja com apenas 9% da capacidade (veja gráfico). As estimativas de volume de água ainda não incluem o aumento previsto com as operações no Bananal e da captação do Lago Paranoá, que devem ser entregues em outubro.

Saiba mais

  • Toda semana, Caesb e Adasa se reunirão para analisar o nível dos reservatórios.
  • Assim, os técnicos de ambos os órgãos vão tomar juntos a decisão de aumentar ou não o rodízio, caso a crise hídrica se agrave e a meta estipulada pela Adasa não seja cumprida.
  • Na tarde de ontem, choveu em vários pontos do Distrito Federal, apesar da pouca expectativa de precipitação nesta época do ano.
  • Os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria fecharam a segunda-feira com 55% e 53% da capacidade.

R$ 42 milhões ainda sem destino certo

A partir do mês que vem, a tarifa de contingência termina. A direção da Adasa avalia que medidas como o rodízio no abastecimento foram mais eficientes. “Foi importante quando não tínhamos nenhum outro instrumento e estimulou a redução do consumo por parte da população. Ela cumpriu um outro papel, que é obter recursos para cobrir custos decorrentes da seca. Nós olhamos depois desses meses e vimos que ela, junto com o racionamento, perdeu a eficácia e os recursos arrecadados são suficientes para as obras emergenciais previstas esse ano”, declarou Paulo Salles.

Apesar de cobrar os valores desde outubro do ano passado, Caesb e Adasa ainda não definiram qual será a destinação. A expectativa é de que os R$ 42 milhões arrecadados durante o período de tarifa de contingência sejam investidos em campanhas educativas, em novas captações e na melhoria das existentes. A cobrança chegou a ser suspensa pela Justiça em dezembro de 2016 e no mês passado, mas continuou sendo cobrada nas contas.

Novo aumento

Caso a crise hídrica persista, a volta da tarifa de contingência é uma possibilidade, mas o diretor da Adasa enxerga a medida como “algo que não pode ser incorporado permanentemente à conta de água”.

Por outro lado, o aumento anual da conta de água deve ocorrer também em junho e já está definido. O consumidor terá de arcar com um reajuste de 3,1%.

De acordo com a Adasa, os instrumentos de controle de volume das captações de água estão sendo aprimorados. Foram empossados novos servidores e a agência está investindo em ferramentas de monitoramento por GPS.

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