Na Estrutural, são poucas as ruas que ainda não foram pavimentadas. Porém, quando chove é grande o estrago nas vielas que não contam com infraestrutura urbana. Sem escoamento pluvial, a água acumulada forma imensas poças, invade casas, abre buracos, abala a estrutura de barracos e tira o sossego dos moradores.
“Quando começa a chover eu pego a minha Bíblia e rezo.” Apelar para Deus foi a saída encontrada por Luzimar do Espírito Santo, 46 anos. Na rua onde mora com a filha Roberta Karen, 26 anos, e os três netos, toda vez que chove a cena se repete: a água entra sem pedir licença, levando muito lixo e lama. “Os móveis estão todos estragados, é tanta água que chega a bater no joelho”, reclama Roberta. Nem as barreiras de madeira improvisadas na entrada na casa conseguem conter a enxurrada. “Para tirar o cheiro que a chuva deixa é só com muita água sanitária e sabão em pó”, relatam mãe e filha.
Para agravar a situação, um lote irregular fechou a saída do conjunto Q da Quadra 12 da Estrutural, onde Luzimar mora. Com isso, a água da chuva fica contida. Como a rua de terra é desnivelada, os barracos mais baixos são os mais prejudicados. Na porta da vizinha da frente uma cratera se abriu. “Só não entra água aqui porque coloquei quatro sacos de areia para aterrar o meu terreno”, declara a moradora, indignada, Maria Maciel, 49 anos.
Piscina de lama
Na área especial da Quadra 9, sempre que chove uma piscina de lama se forma. Os moradores dos conjuntos F, H, I e G ficam ilhados. As missas da Capela Nossa Senhora da Esperança, que na seca atraem 50 fiéis, têm sido assistidas apenas por quatro católicos mais fervorosos ou corajosos. “Uma moça que atravessou a poça teve uma infecção no pé. Junto com a água vem lixo, bicho morto, vidro e dejetos das fossas”, relata a freira Maria da Cruz.
“Só consigo sair de casa me equilibrando pelo meio-fio ou se arrumar uma canoa”, conta Adão Nogueira Mendes, 64 anos, morador da Estrutural desde 1979.