Anderson Souza
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Em época de eleição, cada um tem seu motivo para indignação ou impaciência. Muitos eleitores preocupam-se com o horário de comparecimento, com abordagens de boca de urna e, principalmente, a longa espera na fila no dia da votação. Já para os mesários, a fila é o de menos, uma vez que são os primeiros a chegarem às zonas eleitorais e os últimos a saírem. Eles são os responsáveis por garantir o andamento correto do pleito.
O mesário tem um grande papel nas eleições, ele é quem confere a veracidade do título de cada eleitor e permite que este prossiga em sua votação, procura manter a ordem dentro do estabelecimento – geralmente em espaços públicos –, acompanha e ajuda as pessoas que estão com dificuldades, e por fim, fecha as urnas depois que as eleições estão terminadas. Antes de tudo, o mesário passa por treinamento ministrado pelo tribunal, independente do cargo. A Justiça Eleitoral não garante nenhuma remuneração, exceto o auxílio-alimentação e o direito a dois dias de folga em seu trabalho – público ou privado – a cada dia de serviço prestado. Segundo a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), somente no Distrito Federal, foram convocados 24.270 mesários. Dentre estes, 17.660 foram voluntários.
Fiscalização e prisões
De acordo com a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), as eleições desse ano foram tranquilas. “Apenas problemas básicos foram registrados, a mais notificada, por exemplo, foram casos como eleitores que sem querer assinavam seus nomes nos espaços onde outra pessoa deveria assinar. Esses problemas são frequentes em todas as eleições” afirma o assessor.
Porém, um mesário – que não quis se identificar – disse que em São Sebastião, local onde prestou o serviço, as eleições tiveram muitos imprevistos. Ele afirma que por voltas das 9h às 10h, um pedido enviado pelo promotor pedia alerta para qualquer eleitor que comparecesse usando uma pulseira de cor lilás. “Pelo que nos foi informado, ao identificarmos as pessoas com as pulseiras, nós deveríamos imediatamente chamar alguma autoridade policial. As pulseiras estavam vinculadas a algum esquema de apoio a um determinado candidato” diz o denunciante. Ele lembra que pessoas foram presas nesse dia, “tinha tanta gente com a tal pulseirinha, que eu não consigo dizer quantos eram aproximadamente”. No mesmo local, muitos foram presos por fazerem boca de urna e servirem cesta básica para a compra de votos.
Curiosidades
O apressado almoçou e jantou cru
A vida de um mesário, além das exigências e do trabalho duro, passa também por cenas inesperadas – e muitas vezes engraçadas. Carlos (nome fictício), de 49 anos, mesário há duas eleições, lembra de um ocorrido em 2006, quando um rapaz havia chegado bem mais cedo na zona eleitoral – antes mesmo dos próprios representantes – para ser um dos primeiros a votar e, consequentemente, ser dispensado mais rápido – já pensando em evitar aquela fila. “Realmente, o rapaz não teve que pegar fila nenhuma, mas teve que esperar todas as demais” diz. “Se porventura, um responsável faltar à sua posição na zona eleitoral, qualquer um que estiver na fila poderá ser escolhido para substituí-lo”.
Em briga de marido e mulher não se mete a ex
A moradora de Taguatinga, Sirlene Corrêa, de 43 anos, que é colaboradora há quatro eleições e diz fazer questão de participar, conta uma cena ocorrida no primeiro turno deste ano, onde um homem e sua ex-namorada – por ironia do destino – foram convocados para a mesma sala. “A mulher do rapaz ficou com ciúmes e apareceu no local criando o maior tumulto, ela queria porque queria ficar na sala junto com o marido” ela lembra. “No final das contas, a mulher teve que ser retirada de lá e teve que confiar na fidelidade do homem, que na verdade estava ali, exclusivamente, para servir à democracia” ironiza. Ela ainda ressalta que “na constituição, não podem ficar na mesma sala os que tenham parentesco em qualquer grau, no caso, não havia problema algum por ser o homem e sua ex-namorada”.