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Brasília

Regiões do DF de menor poder aquisitivo têm percentuais de conclusão do ensino ainda mais baixos

Arquivo Geral

15/12/2016 7h00

Atualizada 14/12/2016 21h44

Após abandonar a escola duas vezes, Rodrigo voltou a cursar o primeiro ano do Ensino Médio, aos 20 anos. Foto: Hugo Barreto

Jéssica Antunes
jessica.antunes@jornadebrasilia.com.br

A desigualdade entre os jovens da capital federal se escancara quando o assunto é estudo. O Perfil da Juventude do Distrito Federal, divulgado nesta semana pela Codeplan, mostra que as regiões com a população de menor poder aquisitivo têm percentuais de conclusão do ensino ainda mais baixos.

Segundo os dados do estudo, a defasagem no Ensino Fundamental é maior principalmente em jovens de 15 a 17 anos, em cidades como o Itapoã, onde 44% dos jovens o concluíram. Entre 18 e 24 anos, apenas 29% dos jovens frequentam a escola regular. De 25 a 29 anos, esse número cai para 7%. As cidades com menos estudo são as que menos têm acesso à internet, que comportam um maior número de jovens inseridos no mercado de trabalho e que recebem os salários mais baixos.

Saiba mais

  • Um estudo realizado pela companhia em 2014 aponta que a gravidez é um dos principais motivos para abandonar escola ou trabalho.
  • O percentual de garotas que não estudam nem trabalham é superior ao de garotos.
  • Hoje, que 26% das mulheres entre 15 e 29 anos estão nesse grupo, que reúne 17% dos homens na mesma idade.

Aos 19 anos, Gustavo Marques não chegou a concluir o Ensino Fundamental. Completou a quinta série em uma escola pública do Itapoã, mas abandonou a sala de aula. “Eu não sei explicar o motivo, só não queria estudar. Hoje me arrependo um pouco”, confessa. Hoje, ele trabalha como balconista até as 22h. Isso, diz, o impede de estudar.

No Ensino Médio, as regiões com menor poder aquisitivo e com maior proporção de jovens também são as com menores percentuais de conclusão. No próprio Itapoã, pouco mais da metade dos jovens entre 18 e 24 anos se forma nessa faixa etária. Daqueles entre 25 e 29 anos que tentam terminar os estudos especialmente por Educação de Jovens e Adultos, 47% saem diplomados.

“Eu estudava longe demais. Ia de bicicleta, que às vezes furava o pneu, porque não tinha transporte”, justifica Rodrigo de Souza, 20. Ele abandonou os estudos por duas vezes e agora tenta recuperar o tempo perdido no primeiro ano do Ensino Médio. “Estou estudando, acompanhando a turma. Ainda não sei se passei”, diz. Depois disso, ele não planeja cursar Ensino Superior: “Não sei se consigo”.

O acesso e a conclusão parecem estar longe da realidade das regiões que concentram os jovens com menor poder aquisitivo. No Lago Sul e no Sudoeste/Octogonal, 82% e 78% dos jovens têm Ensino Superior completo, enquanto na Fercal, na Estrutural e no Varjão, esse número é de 5%, 7% e 8%. Para a diretora de Estudos e Políticas Sociais da Codeplan, Ana Maria Nogales Vasconcelos, é reflexo da a baixa oferta de Ensino Superior público.

Ponto de vista

“Quanto mais vulnerável é um segmento populacional, maior é a dificuldade em qualquer coisa na vida, inclusive o acesso aos direitos, como educação e saúde”, explica o especialista em Educação Célio da Cunha. Para ele, é clara a necessidade em uma continuidade de política de inclusão social que não foque apenas no quantitativo, mas no apoio à juventude. O especialista acredita que o EJA precisa passar por reforma: “Muitos trabalham e têm dificuldades de continuar os estudos. É preciso pensar uma pedagogia diferente para aproveitar todas as chances de aprendizagem, incluindo educação técnica e profissional”.

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