Francisco Dutra
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Aqueda vertiginosa dos investimentos da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) é um dos principais motivos da crise de desabastecimento, retratada principalmente pela decadência da barragem do Descoberto. Conforme pesquisa no Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo), ao longo dos últimos quatro anos, o governo planejava investir aproximadamente R$ 2,1 bilhões nos sistemas de captação e tratamento de água, bem como esgoto. No entanto, desembolsou de fato somente R$ 645,4 milhões.
Em 2013, penúltimo ano da gestão de Agnelo Queiroz (PT), a previsão de investimentos era de R$ 409,7 milhões. No entanto somente R$ 146,1 milhões foram executados. No ano seguinte, a dotação inicial foi de R$ 414,4 milhões, mas a execução se limitou a R$ 167,5 milhões. Em 2015, primeiro ano da gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB), o orçamento reservava R$ 587,4 milhões. Todavia, aplicou só R$ 150,4 milhões. No ano passado, a previsão foi de R$ 754 milhões, mas a execução ficou em R$ 181,4 milhões.
Equívocos
Na avaliação do professor de Engenharia Civil e doutor em Recursos Hídricos da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Kóide, a falência do sistema foi decretada há dez anos em função de decisões equivocadas dos governos: o projeto em parceria com Goiás de Corumbá IV e a captação de água do sistema do Lago Paranoá. Por uma série de imprevistos, erros e atrasos em repasses federais, as duas propostas ainda não conseguiram sair do papel.
“Nos últimos anos, a Caesb deu mais importância para a expansão da rede de esgoto para acompanhar a regularização dos parcelamentos irregulares”, argumenta Kóide.
Para o especialista, as medidas iniciais do GDF para conter a crise foram acertadas. No entanto, ainda há risco de um grande colapso do sistema no período de seca deste ano.
Do ponto de vista de Kóide, além da conclusão dos projetos de Corumbá IV e do Paranoá, a Caesb deve investir em pequenas redes de capação nos córregos do DF e também na captação do sistema do Bananal, que tem potencial para aliviar o consumo da barragem de Santa Maria.