Carlos Carone
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A privação de liberdade provocada por uma condenação criminal é um preço alto que pode ser pago por longos e tenebrosos anos. No entanto, a vida na cadeia se torna menos sofrida para quem teve a oportunidade de terminar uma faculdade. No Distrito Federal, os detentos considerados “especiais”, pelo fato de possuírem curso superior, desfrutam de uma ala igualmente especial, no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), no Complexo Penitenciário da Papuda. Atualmente, 57 homens dividem 26 celas exclusivas de 12 metros quadrados cada. Todas possuem banheiro com direito a chuveiros elétricos.
Televisores e aparelhos de rádio também são considerados itens de primeira necessidade nas celas, que contam com uma ou duas beliches. A situação é bem diferente se comparada ao Presídio do Distrito Federal I (PDF I), por exemplo, onde as celas de apenas seis metros quadrados são divididas por até dez homens. Na contra-mão da realidade do sistema prisional do DF, a ala especial do CIR parece viver em um outro universo. Ao contrário do sistema como um todo, que vive o colapso provocado pela superlotação – são 10.025 presidiários para 6,4 mil vagas – os presos especiais convivem com um superavit de vagas. Com 56 internos, a ala conta com 78 vagas que ficam à espera de novos presos que vão chegar ao sistema com o “canudo” debaixo do braço.
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Geralmente, com maior poder aquisitivo do que os presos comuns, os internos com direito a celas especiais também possuem o direito de contar com aparelhos eletrônicos como televisão e rádio dentro das celas. “É preciso que o preso faça um requerimento. O documento é analisado pela direção do presídio e liberado para que a família o leve em um dia de visitas. Também é necessário que seja apresentada a nota fiscal para afastar a possibilidade de um equipamento de origem ilícita entrar no presídio”, explicou o diretor do CIR, delegado Márcory Geraldo Mhon.
Apesar das regalias, todos os presos com curso superior só aproveitam o conforto das celas especiais até que o caso de cada um seja transitado e julgado. O diretor do CIR afirmou que, após a conclusão dos processos, os internos são levados para os pavilhões comuns e precisam cumprir as penas nas celas coletivas, onde ficam os outros presos. “A exceção das celas especiais ficam restritas a ex-policiais militares e civis. Caso contrário podem sofrer violência”, disse.
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