Cerca de dois anos após matar a esposa com oito tiros, o policial militar reformado Jailson Guedes Ferreira será julgado pelo Tribunal do Júri de Ceilândia nesta quarta-feira (29). A sessão de julgamento está prevista para começar às 9h30.
Na tarde de 15 de abril de 2015, o PM matou a esposa, que também fazia parte da corporação. Em seguida, ele tentou se suicidar. O réu responde por homicídio duplamente qualificado, pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima e por feminicídio.
Relembre o caso
Neide Rodrigues Ribeiro, de 47 anos, e Jailson Guedes, também de 47 anos, viveram juntos por mais de 20 anos. Mas, segundo os familiares, eram completamente diferentes. Ela, “sempre solícita e atenciosa com todos” e ele, “agressivo e muito grosseiro”. Após muitas brigas, desentendimentos e discussões, Neide resolveu se separar do companheiro. No fatídico dia, ela arrumou suas coisas e chamou um caminhão de mudanças. De acordo com vizinhos, quando Jailson viu o caminhão, ameaçou o motorista que, assustado, foi embora.
O casal iniciou uma discussão e, por volta de 12h10, o suspeito deu o primeiro tiro. “Nós ouvimos os dois brigando. Depois de uns 20 minutos ouvi um grito dela, seguido por quatro disparos. Passou uns dez minutos e ouvimos mais uns quatro tiros”, detalhou uma das vizinhas que não quis se identificar.
Completamente transtornado, Jailson saiu pedindo socorro pela rua. “Ele gritou: me ajuda! Minha esposa! Nós estamos nos matando!”, contou a testemunha. Os vizinhos imediatamente chamaram a Polícia Militar, mas já era tarde demais – Neide estava morta. Após o atirar contra a mulher, o policial deu um tiro contra a própria cabeça, mas a bala pegou de raspão. Segundo testemunhas, o tiro acertou em um metal e atingiu o pé de Jaílson.