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Brasília

Quando o cuidado com o corpo vira uma doença

Arquivo Geral

21/05/2013 7h00

A adolescência é uma época de muitas incertezas e inseguranças. Uma delas é a desaprovação com a própria imagem, que passa de 50% entre os adolescentes, segundo recente estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com isso, surge a preocupação em relação a excessos e exercícios incorretos, em busca do corpo ideal. Nas academias, é comum encontrar jovens menores de 18 anos. A prática de exercícios é indicada por médicos, mas a ingestão de suplementos não é recomendada e deve ser sempre acompanhada.

 

Segundo o estudo da UFSC, a insatisfação com o corpo é de 63,5% entre os meninos e de 51,9% entre as garotas. O estudo foi feito com adolescentes de 11 a 17 anos. 

 

A vontade de emagrecer e, principalmente, a pressão da família fizeram André*, 17 anos, ingressar em uma academia. “Meu pai fica me dizendo que estou gordo e que vou morrer sozinho se continuar assim”, revela. Outro motivo que faz o estudante se exercitar é ter sucesso com as garotas. “Faz falta ser forte. As mulheres são meu estímulo para malhar”, diz. A meta de André é perder 9 kg. Segundo ele, não há meta para crescimento.

 

Pressão

Sem pressão, Jorge*, 17 anos, pensa em diminuir peso, ter saúde e alcançar bom resultado estético. “Já fui zoado por ser gordo, mas isso não me atingiu, porque tenho a língua afiada”, fala. “Quero me sentir bem comigo, para me sentir bem com o mundo. Não sou obsessivo com a forma física”, afirma.

 

A estudante Evelin*, 17, foi influenciada pelo namorado a entrar na academia. Apesar de se sentir pressionada pelo padrão imposto pela sociedade, ela acredita que não corre risco de se tornar obcecada pela malhação. “Não chega a ser obsessão, mas gostaria de melhorar minha barriga”, admite.

 

Por conta da atividade física intensa, Evandro Brandão, 18, segue à risca alimentação e suplementação, para alcançar resultados. O estudante luta jiu-jitsu e judô e vê o exercício como uma prioridade. “A melhor sensação do mundo é quando saio do treino, na academia”, revela. Evandro já praticou futebol e natação e desde os 15 anos faz musculação. “Tive excesso de treino três vezes, portanto fico receoso de que aconteça de novo. Não exagero mais”, disse.

 

Treinos

São mais de R$ 250 por mês em suplementos alimentares. Evandro acredita que não é possível encarar a academia e treinos de artes marciais sem produtos. Embora seja contrário ao uso de esteroides,  o jovem garante que eles fazem parte da realidade das academias. “O efeito que eu tenho malhando dura mais do que o do cara que usa anabolizante. Um amigo teve hepatite aos 17 anos por causa disso”, diz.

 

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