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Brasília

Quando liminares não são o suficiente, famílias pedem indenização

Arquivo Geral

16/06/2013 17h51

As mortes em decorrência de falhas na saúde pública revoltam a população e desolam famílias. Por falta de informação, nem todos   cobram do Estado uma reparação, por meio da Justiça. Mesmo assim, não são raras as decisões favoráveis às famílias, como o que aconteceu no caso de uma vítima de acidente com motocicleta, que não conseguiu leito em uma  Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

 

Em 2007, o jovem, de 22 anos, morreu no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) à espera de uma vaga. No dia do óbito,  os familiares  conseguiram, por meio de liminar, a transferência do paciente para um hospital conveniado à rede pública. No entanto, a determinação não foi cumprida, e  Ildemar Ferreira da Rocha não resistiu. Um ano depois, a família deu entrada em um novo processo. Dessa vez, para cobrar uma indenização.

 

A sentença recente contemplou o pai e os cinco irmãos. Para cada um, a Justiça determinou que o governo pague uma indenização  de R$ 20 mil, totalizando  R$ 120 mil. 

 

Antes de morrer, Ildemar chegou a ser transportado pelo menos duas vezes do Hospital Regional de Ceilândia para o HRT.  O paciente, que teve fratura exposta no fêmur e na tíbia, foi  atendido inicialmente no HRC em 18 de junho. Diante da necessidade de um tratamento   de ortopedia, foi para o HRT.

 

“A informação era de que o HRC não tinha, na época, um atendimento especializado em ortopedia. Mas, assim que chegou a Taguatinga, o hospital disse que não poderia recebê-lo por não haver vaga, e Ildemar voltou a Ceilândia”, explica o advogado da família, Calixto Daguer. De volta ao HRC, o paciente ficou apenas mais um dia, retornando  ao HRT ainda sem o tratamento das fraturas.

 

Naquele dia, Ildemar teve embolia pulmonar e precisou de UTI, mas não havia leito em nenhum dos dois hospitais. E mesmo com a liminar judicial que determinava a internação em um hospital conveniado, nada foi feito.

 

“O diretor do HRT disse que não havia necessidade, pois o hospital tinha conseguido um leito. A família começou a aguardar pela ambulância, que não chegava. A transferência  não foi feita e ele morreu no mesmo dia”, diz Daguer.

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