As novidades da informática tomam conta dos espaços da casa há muitos anos, mas agora os tablets completam o triângulo amoroso moderno no lugar onde os momentos íntimos acontecem. Em clima do Dia dos Namorados, pesquisa da empresa Logitech feita entre dois mil adultos solteiros com idade acima de 18 anos nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha revela dados surpreendentes sobre o amor das pessoas pelos dispositivos móveis e pela cara metade.
A pesquisa informa que a maioria dos donos de tablets nos Estados Unidos, 93%, usa o aparelho enquanto estão na cama. Assim, os tablets e smartphones estão roubando o espaço do parceiro na cama e são motivos de briga, ciúmes e conduzem situações, no mínimo, engraçadas.
Os servidores públicos Sandra Carvalho, 40 anos, e Antônio Castelo Branco Junior, 47, têm mais dispositivos móveis em casa do que membros da família. Cada um tem um iPad mini, um iPad de tamanho normal e um iPhone. Somado ao tablet do filho de três anos, a família tem sete aparelhos tecnológicos da Apple, para três pessoas. O marido, que trabalha com informática, sempre traz para a casa o que há de mais atualizado no setor.
Na cama
“Antes de dormir a gente deita na cama, cada um com o seu tablet. Na hora que a gente pega no sono dormimos com o Ipad do lado, no criado-mudo. Até quando chegamos do trabalho, lanchamos juntos e ficamos na sala, cada um com o seu tablet. E conversando sobre o dia e coisas que a gente acha de interessante na internet”, diz Sandra.
Para o casal, o tablet, em vez de distanciar, acaba unindo a família, principalmente quando o marido está viajando. “A gente tem um filho pequeno, então nem sempre posso viajar junto. A gente combina de conversar todas as noites pelo aplicativo facetime, parece que ele está mais perto”, conta Sandra.
Segundo ela, o casal troca mensagens quando está no trabalho. E se ela precisa de alguma coisa, manda a imagem e pede para o marido comprar. “A gente utiliza a tecnologia a nosso favor”, conclui.
Pegadinha desastrosa da autocorreção
É tudo muito bonito, mas a competição por atenção entre um casal e o dispositivo móvel e a incapacidade de abrir mão dos aplicativos pode desencadear momentos de estresse. É que 21% dos americanos solteiros que têm tablets admitiram já ter danificado o aparelho ou o smartphone em momentos íntimos e 74% acham que é aceitável utilizar o iPad logo após as carícias.
A servidora Amanda Ferreira, 27 anos, passa grande parte do seu tempo em um blog e tem que se policiar para não deixar o vício atrapalhar a comunicação com o noivo Vitor Nere, 26. Na cama, eles dividem o tablet e pesquisam juntos para futuras viagens, por exemplo.
Jantar
“Quando jantamos, nos policiamos para não usar o celular. É automático: a gente senta, pede um vinho e cada um pega o celular. E não faz sentido a gente sair e não aproveitar a companhia do outro, a gente quer se curtir e namorar”, fala.
Amanda é vítima da autocorreção dos aparelhos. As telas sensíveis foram motivos para erros de digitação desastrosos. “A gente mal se fala por telefone, quase sempre é por mensagem. Mas ele escreve errado. A gente se chama de ‘xarope’ e sempre sai tudo, menos isso. Teve uma vez que ele queria falar sobre cárie e saiu Carol. Fiquei indignada, pensando… quem é essa garota? Mas logo depois entendi”, lembra.