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Brasília

Projeto musical que atende crianças carentes precisa de ajuda para ampliar acolhimento

Arquivo Geral

04/08/2017 6h30

Foto: John Stan

Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br

As cortinas da orquestra se abrem, mas a plateia se aperta entre a sala e a grade do Instituto Reciclando Sons para assistir as apresentações. Com uma estrutura pequena, o projeto muda vidas na Cidade Estrutural desde 2001 e está completando 16 anos este mês. Além de formar crianças carentes em educação musical, o objetivo agora é construir o primeiro polo de tecnologia social de Brasília em forma de teatro.

O desejo da fundadora do Reciclando Sons, Rejane Pacheco, é erguer um galpão de tecnologias sociais, para que seja uma área de desenvolvimento de habilidades e fomento sociocultural. A intenção é criar espetáculos dentro da comunidade. “É um processo de democratização do acesso à arte, caminhando com a cidadania participativa”, define.

Com a ajuda de parceiros, o instituto conseguiu comprar a sede, que fica no Setor de Serviços (Quadra 2), mas o desafio agora é construir o galpão. A obra é orçada em R$ 750 mil. “Acredito muito que a sociedade civil pode colaborar. Temos contato com empresariado e vários órgãos, mas queria muito poder contar com a doação da sociedade”, diz Rejane.

Duas salas de aula hoje recebem 150 crianças, mas, com o galpão, eles pretendem atender mais de 250. A maioria mora na Estrutural, mas há alunos de Taguatinga, Samambaia, São Sebastião, Águas Lindas (GO) e Santa Maria.

Muitos ganhos
O Reciclando Sons surgiu com o objetivo de fazer da música um elemento de inclusão social. Rejane explica que é também uma forma de inserir os jovens no mercado de trabalho. “Em 2001, ao lado do maior lixão a céu aberto da América Latina, eu iniciei um processo de musicalização infantil com 22 crianças que viviam em uma situação de extrema vulnerabilidade em todos os quesitos, como saneamento, alimentação, saúde, moradia, segurança e educação”, cita. De lá para cá, o instituto recebeu prêmios, como da fundação Banco do Brasil, em 2013.

Todo o atendimento é gratuito, desde as aulas ao empréstimo de instrumentos, reforço escolar e alimentação. As crianças, a partir dos nove anos, têm aulas de canto, orquestra, teoria musical e instrumento. A grade curricular está em processo para incluir o inglês. Há 25 colaboradores, entre contratados e voluntários. Em todas as áreas, como gestão e coordenação, há profissionais que inicialmente chegaram como alunos.

Foto: John Stan

Foto: John Stan

Uma coleção de vitórias
No ultimo módulo das atividades, os alunos são preparados para a prova da Ordem dos Músicos do Brasil e para o vestibular da Universidade de Brasília. Quando eles passam na prova da Ordem, são licenciados e voltam para trabalhar na instituição. Três alunos foram aprovados em Música na UnB. No ano passado, dois deles foram estudar em Roma por dois meses.

Um dos contemplados com a viagem, Damom Erick, 21 anos, conta que não tinha grandes perspectivas de futuro antes de entrar para o projeto. Com as aulas de música, se apaixonou pelo violino e também ficou mais comunicativo.

Ele se sentiu mais empolgado para ensinar aos alunos quando voltou para o Brasil. “É um ciclo de aprendizado: o que aprendi, hoje passo para eles”, resume. Recentemente, Damom passou na UnB, o que foi uma grande surpresa para ele. “Eu não sabia nem o que era um estágio, e hoje tenho um caminho que me foi dado pelo instituto”, agradece.

Arthur Félix, 25, também foi a Roma. Nunca havia passado pela cabeça dele que um dia tocaria violino, quanto mais estar com músicos na Europa. “Lá eu respirei música, aprendi muito sobre a disciplina e sobre uma cultura totalmente diferente”, conta.

Agora diretor de arte do instituto, Jhosué Jefferson, 24, passou na UnB: “Quando olho para uma partitura, vejo que foi pelo instituto que consegui chegar até aqui”.

Reciclando Sons
Endereço: Quadra 2, conjunto 6, lote 2, Vila Estrutural
Telefone: (61) 3363-0036
Site: www.reciclandosons.org.br

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