Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidem se entram em greve na próxima terça-feira (27), às 10h. A assembleia foi convocada pelo conselho de representantes da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB) nesta quinta-feira (22). O grupo considerou que a assembleia ordinária marcada para a manhã desta sexta (23), no Auditório do Departamento de Engenharia Civil, não atrairia um número suficiente de docentes. Os técnicos-administrativos da UnB também vão debater o assunto em assembleia na terça-feira, às 9h.
Os docentes reivindicam o pagamento da URP sobre a totalidade da remuneração. O cálculo da percela sobre as gratificações foi bloqueado pelo Ministério do Planejamento e Gestão, em descumprimento à determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto (leia mais aqui). O Ministério deve analisar nesta sexta-feira a determinação da ministra Cármen Lúcia (leia mais aqui).
A universidade encaminhou ofício ao STF comunicando a dificuldade em fazer a folha de pagamento. A ADUnB enviou petição ao tribunal para garantir o cumprimento da determinação. Em nota divulgada nesta quinta-feira, em tom provocativo, a entidade mencionou a possibilidade de prisão do reitor da UnB e do secretário de Recursos Humanos do Ministério, Duvanier Paiva Ferreira, caso o pagamento não seja feito.
Tensão
Enquanto sindicatos e administração brigam pela manutenção da URP, a comunidade reclama da incerteza quando ao salário do próximo mês. “Vivemos um desgaste muito grande, com clima forte de incerteza. Afinal, quem é que vai bater o martelo nesse assunto?”, questiona o professor Michelângelo Trigueiro, do Departamento de Sociologia. “É uma situação que coloca em dúvida até mesmo o Estado de Direito, já que há desobediência quanto a uma decisão do órgão máximo do Judiciário”, completa.
Recém-contratado pela UnB, o professor Pedro Gontijo, do Departamento de Filosofia, teve reduções no salário desde agosto. “Minha esperança era que o pagamento viesse retroativo em novembro. Mas com isso posso perder até R$ 1,7 mil da minha remuneração”, conta.
A direção da ADUnB é favorável à greve geral a partir de terça-feira. Mas o presidente da entidade, Flávio Botelho, espera, pelo menos, decisão do Ministério do Planejamento para garantir a remuneração de outubro. “Não vamos conquistar nada se não houver pressão política e mobilização de todos os professores”, diz.