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Brasília

Fiéis movimentam Morro da Capelinha desde o início da manhã

Arquivo Geral

14/04/2017 10h52

Breno Esaki

João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília

Tradicionalmente, pela manhã, o Morro da Capelinha é dominado por homens e mulheres que buscam subir os mil metros em penitência. O objetivo é chegar a Capelinha dedicada à Nossa Senhora Aparecida e no cruzeiro, ponto mais alto do local. Durante todo o dia, segundo a organização, são esperadas 150 mil pessoas.

“É importante agradecer. Não sei explicar a emoção. Faço de coração”, desabafa Ângela Cardoso, dona do lar, 38, quando estava finalizando a subida de joelhos, que terminaram machucados, ao lado do filho Pedro Paulo Cardoso, 10. O cansaço parecia que a tinha pego, mas ela estava obstinada a agradecer por uma graça alcançada porque, para ela, “há tanto percalço na vida, que temos sempre que agradecer quando coisas boas acontecem”.

O estoquista Cássio Alves, 26, veio com toda a família para também agradecer. Ele vem a via Sacra desde pequeno e nem lembra a primeira vez que assitiu a Via Crucis de Jesus em Planaltina. A parente de Caio, Maria Fernanda estava descalça durante todo o caminho, junto a pequena Eloá Fernandes. Ela não revelou a promessa que veio pagar, pois nesses assuntos celestiais, o silêncio é importante, mas disse que fez com muito amor. “A emoção é grande na encenação. Em especial, Jesus ressuscitando”, diz Maria.

Tradição

Este é o 9° ano que a professora de Geografia Kátia Garcia, 52, vai ao Morro da Capelinha para pagar promessa. A caminhada não começou ao pé do morro mas sim na BR-020, altura do mercado Comper, em Sobradinho. Mesmo morando no Plano Piloto, ela afirma que o Morro da Capelinha é um ponto de muita fé no DF e faz questão de vir acompanhada da mãe, Terezinha Garcia, 70, e da cadelinha Suzy. Ao todo, serão 15 anos de subidas e descidas para agradecer. Já se foram nove anos das andanças dos quase 20km entre Sobradinho e Planaltina. Ela espera que tanto a mãe quanto o animal de estimação a possa acompanhar.

 

A recomendação para quem vier ao Morro é que traga água devido ao calor e alimentos, em especial para aqueles que passarão o dia inteiro. A auxiliar de creche, Elis Rejane, 44, vem há pelo menos 30 sextas feiras santa ao Morro da Capelinha. Como de costume, ela e a família chegaram antes das 10h para conseguir um melhor lugar. Para a auxiliar, chegar cedo é bom para pagar as promessas, rezar e curtir as músicas religiosas tocadas desde as primeiras horas da manhã.
Elis mora em Sobradinho, próximo ao condomínio Morada dos Nobres e vem todo ano porque considera a encenação “a melhor coisa de Brasília neste período”. A dona do lar Laura Ribeiro, 30, também preferiu chegar bem antes da apresentação, as 9h, e escolheu ficar embaixo de uma árvore na Praça do Calvário, espaço de onde é possível visualizar a crucificação de Jesus. Para a dona do lar,  que foi caminhando do Bairro Arapoangas para o morro, há pelo menos dez anos, esse é o programa da sexta feira da Paixão.
O marido de Laura, Cristiano Ramos, 31, ia que os filhos estava super animados para ir ao Morro, principalmente, a pequena Isabella de quatro anos, que verá o espetáculo pela primeira vez. Gabriel, filho do casal de 10 anos também estava bem animado. Preparados para o dia todo no local, eles tinham frutas, bolachas, bastante água e, na hora do almoço, comprarão marmitas. Tudo para ter um bom local e ficar em segurança pois o intuito do casal é incentivar as crianças a gostarem de participar de eventos religiosos.

 

SERVIÇO

Segundo o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), as linhas com destino ao Morro saem dos terminais rodoviários de Sobradinho (504.2), de Sobradinho II (504.3) e de Planaltina (609.2). A última parte da Rodoviária do Plano Piloto (617.1). Nas quatro linhas, o horário de funcionamento começa às 11h e se estende enquanto durar a demanda de passageiros.

 

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