Millena Lopes
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Foi por meio de parcerias público-privadas que a Odebrecht executou duas grandes obras no DF. É, provavelmente, por causa deles que pelo menos seis políticos da capital federal estariam na famigerada “Lista de Janot”: os ex-governadores Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda, o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, o ex-secretário de Habitação Geraldo Magela; o ex-senador Gim Argello e o deputado distrital Robério Negreiros.
O Centro Administrativo do DF (Centrad), inaugurado no fim de 2014 e inutilizado até hoje, e o bairro Jardins Mangueiral foram obras executadas pela construtora, principalmente na gestão de Agnelo no DF. Foram as delações premiadas dos executivos da Odebrecht que motivaram o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) 83 pedidos de abertura de inquéritos, 211 solicitações para desmembramento das investigações para a primeira instância, sete arquivamentos e 19 pedidos cautelares de providências.
Saiba mais
- O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) informou que os citados que não têm foro privilegiado serão investigados pela primeira instância, por meio das promotorias que tiverem atribuição nas áreas criminal e de improbidade administrativa.
- Mas, por meio da assessoria de imprensa, informa que é preciso saber primeiro o local da prática criminosa. “O MPDFT só tem atribuição para investigar crimes cometidos no âmbito do DF”.
Oficialmente, os nomes ainda não foram divulgados, já que a solicitação do PGR tem caráter sigiloso – Janot também pediu ao STF a retirada do sigilo das delações.
Obras em questão
No DF, a Odebrecht gastou mais de R$ 1 bilhão para a construção do Centro Administrativo, cujo contrato foi assinado no governo Arruda, mas executado na gestão Agnelo. O prédio, que deveria abrigar a sede do governo, está abandonado. Sem estrutura mínima para funcionar, a edificação foi inaugurada pelo petista nos últimos dias de mandato. Até hoje, o consórcio não conseguiu se entender com o governo de Rodrigo Rollemberg para que o contrato seja executado.
A obra do Jardins Mangueiral, da qual a construtora também participou, já foi objeto de investigação da força-tarefa da Lava Jato, depois da delação premiada da ex-secretária da Odebrecht, Maria Lúcia Tavares. Ela teria citado que alguém do DF, com o codinome “Grama”, teria recebido R$ 200 mil em espécie, em pagamento referente à construção do Jardins Mangueiral, que foi orçada em cerca de R$ 1 bilhão. O contrato para a PPP que resultou no bairro planejado também foi assinado durante o governo Arruda e entregue na gestão de Agnelo.
Eles dizem não saber do que se trata
Os envolvidos – e os advogados – evitam comentar o assunto, por que dizem que desconhecem o teor dos pedidos de Janot. De acordo com Paulo Emílio Catta Preta, que defende Arruda, o ex-governador “não faz absolutamente ideia do que possa ser”. Ele explica que, durante a gestão de Arruda, a Odebrecht não executou obras de relevância. “A execução (dos dois projetos) e os aditivos foram no governo Agnelo”, sustenta.
Filippelli disse que ficou sabendo pela imprensa. “Não tenho como comentar”, observa. Advogado de Gim Argello, Marcelo Bessa também se recusa a analisar o assunto. “A gente não sabe nem se isso é verdadeiro”, alega.
O deputado Roberio Negreiros diz que a “simples citação” do nome dele não quer dizer nada. “O que vale é o contexto em que se efetivou. Estou absolutamente tranquilo”, diz o ex-peemedebista, por meio de nota. A assessoria do deputado lembra que há pedido de arquivamentos entre as solicitações de Janot.
Magela, que foi secretário de Habitação justamente durante a construção do Mangueiral, não foi encontrado para comentar o assunto. O advogado de Agnelo não retornou as ligações.