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Brasília

Primeira brasiliense luta por UTI e pela vida

Arquivo Geral

08/09/2016 7h00

Brasília Maria Costa Góis com a filha Grazielle Gois. Crédito: arquivo pessoal

Millena Lopes
millena.lopes@jornaldebrasilia.com.br

Ela já foi paparicada por políticos, jornalistas famosos e até pelo presidente da República Juscelino Kubitschek. Brasília Maria Costa Góis foi o primeiro bebê nascido na nova capital do Brasil, no dia em que ela foi oficialmente inaugurada. Agora, aos 56 anos, luta pela vida e passou quatro dias à espera de uma vaga de UTI, depois de ficar uma semana internada na UPA do Recanto das Emas.

Hospitalizada desde 31 de agosto, Brasília está entubada e precisa de hemodiálise. A família precisou ir à Justiça para conseguir a transferência, que só se concretizou na noite de ontem, 48 horas depois da ordem judicial.

“Na UPA, ela estava na UTI, mas lá não tem como fazer a diálise”, conta Grazielle Góis, 21 anos, a filha mais velha de Brasília, que pretendia procurar até o governador Rodrigo Rollemberg, caso a família não conseguisse o leito. Brasília foi transferida ontem à noite para a UTI do Hospital de Santa Maria.

Problemas psiquiátricos

A ilustre brasiliense, que é aposentada, sofre com problemas psiquiátricos e toma três tipos de remédios controlados, diz a filha: “Ela tem esquizofrenia, transtorno bipolar e de ansiedade”. O tratamento teria sido interrompido há três anos, por falta de vaga no Hospital Pronto Atendimento Psiquiátrico (HPAP), onde era atendida.

Com dores nas costas, Brasília procurou a UPA do Recanto das Emas, onde mora com os dois filhos, o marido e uma sobrinha. “Quando falei que achava que poderia ser nos rins, ela ficou agitada”, conta a filha, lembrando que a mãe é fumante há mais de 30 anos e foi diagnosticada recentemente com doença pulmonar obstrutiva crônica, além de ser diabética e hipertensa.

Faltam vagas na rede pública

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que Brasília Góis estava internada na sala vermelha da Unidade de Pronto Atendimento, onde recebia atendimento com suporte semelhante ao de uma UTI, enquanto aguardava transferência para leito de terapia intensiva “que atenda às necessidades do quadro clínico”.

A pasta reconhece que a mulher aguardava uma vaga desde sábado, quando entrou na fila de regulação de leitos de UTI. “Desde então, a Central de Regulação tem feito buscas ativas para atender a demanda”, diz o texto.

Ontem, conforme a nota, a pasta ampliou a busca por leito de UTI também na rede privada não contratada, seguindo a recomendação judicial que foi recebida.

A secretaria informou ainda que Brasília Góis seria encaminhada ao leito de terapia intensiva tão logo houvesse disponibilidade de vaga com as especificações necessárias.

Ordem judicial

Já passava das 20h, 50 horas depois de a ordem judicial ser expedida, quando uma viatura do Samu fez a transferência da paciente, segundo a Secretaria de Saúde informou. O relatório médico, que foi entregue à família, indicava que Brasília Góis estava com quadro de “choque séptico com foco urinário e pulmonar”.

O laudo, expedido anteontem, indicava a necessidade de UTI “com suporte dialítico” com urgência.

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