Matheus Venzi
matheus.venzi@jornaldebrasilia.com.br
Mau cheiro e abandono. Esse foi o cenário com o qual a reportagem do Jornal de Brasília se deparou no antigo prédio dos Correios na Quadra Central de Sobradinho. Moradores e comerciantes locais se mostram insatisfeitos com a atual situação do espaço, que há anos é usado por moradores de rua como ponto de comércio e uso de drogas, dormitório e até banheiro. O que mais chama atenção, porém, é que o local fica a poucos metros da administração da cidade, em uma área movimentada. A edificação será cedida à Agência de Fiscalização (Agefis), mas as autoridades responsáveis não estimam prazo para a solução do problema, como a ocupação, e sequer uma limpeza.
Após denúncia dos moradores, a reportagem foi ao local, que também já foi uma agência do Procon. Chegando ali, foi fácil identificar o abandono só pelo mau cheiro. O odor de fezes é forte e incomoda quem passa por perto. O espaço estava aberto, com sinais de arrombamento, e totalmente sujo. Restos de comida e papelões indicavam a presença de invasores.
A equipe chegou a ser alertada por uma vigia de carros das redondezas para tomar cuidado. De acordo com ela, as pessoas que frequentam aquele espaço são extremamente perigosas.

Data:10-07-2017 Prédio abandonado em sobradinho
Foto: Breno Esaki
Insegurança
A comerciante Francisca Nunes Pereira diz que tem que trabalhar com medo. Ela possui um quiosque próximo e afirma que o local já está abandonado há cerca de cinco anos. Francisca já teve sua loja arrombada duas vezes, um prejuízo de cerca de R$ 40 mil. A comerciante muda a rotina por causa da falta de segurança. “Eu tenho que fechar a loja às 17h. Depois disso fica impossível, à noite é muito perigoso. A polícia vem e os tira daqui, mas eles voltam de novo”, desabafa.

Data:10-07-2017 Prédio abandonado em sobradinho
Francisca Nunes
Foto: Breno Esaki
O medo é constante. “Semana passada, dois deles [moradores de rua] brigaram com faca aqui. Uma cliente estava na loja e eu tive que fechar o vidro com nós duas dentro para não corrermos nenhum risco”, conta Francisca.
Na opinião do morador André Luis Santos, as mulheres são as que mais sofrem. “Só louco passa aqui à noite. Se for mulher, ainda… vai ter que aguentar muita piadinha, isso se não acontecer nada pior”, relata. O empresário acredita que o espaço poderia ser reutilizado, e sugeriu que uma unidade do Na Hora fosse aberta. “Tinha que usar esse prédio pra alguma coisa. Tem um monte de jovem precisando tirar documento”, propõe André.
O comerciante Antônio Gomes de Souza também já teve o seu comércio arrombado, supostamente por moradores de rua das redondezas. Ele relata que alguns deles dormem em abrigos próximos dali. “Eles têm onde dormir, têm onde usar droga. Quem fica com medo é a gente, que tem que lidar com essa situação todo dia”, diz.
Antônio também defende a revitalização do espaço: “Poderia abrir uma biblioteca, tem escola aqui perto. O que não dá para fazer é continuar do jeito que está”.
Versão oficial
A Administração de Sobradinho alega que o novo administrador, Valter Soares, assumiu há pouco mais de dois meses e só ficou sabendo da situação no fim de junho. Além disso, afirma que o espaço é de responsabilidade dos Correios. Segundo a assessoria, um ofício foi encaminhado em 27 de junho, solicitando providências urgentes, como o isolamento da área até sua destinação pública. A Superintendência dos Correios, por sua vez, informa que o imóvel será cedido à Agefis. A formalização da cessão de uso está em andamento. A Agência de Fiscalização confirma e explica que o local será utilizado como posto de atendimento ao cidadão e ponto de apoio para os auditores. Providências como limpeza só serão tomadas após a assinatura do termo.