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Brasília

Polícia quer ouvir todos os sobreviventes do naufrágio

Arquivo Geral

28/05/2011 16h59

Bruna Sabarense
e Gabriella Bontempo
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Os depoimentos dos sobreviventes do naufrágio no Lago Paranoá, no último domingo, continuam na próxima semana. Cerca de 70 pessoas já foram ouvidas na 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) e cinco crianças foram dispensadas da oitiva. A expectativa é de todos os passageiros do barco Imagination sejam ouvidos para nortear as investigações. O laudo pericial, também decisivo para o inquérito, pode sair em 60 dias.

 

Na quinta-feira, a Polícia Civil mostrou, baseado nesses depoimentos, que o cálculo com o número de sobreviventes estava errado. Em vez de 93 pessoas, 101 passageiros conseguiram sair do lago com vida. Com nove mortos, o barco levava no total 110 passageiros. Vinte e oito a mais do que o permitido pela Marinha, na última vistoria.

 

O delegado Adval Cardoso de Matos, responsável pelas investigações, acredita que as provas testemunhais são fundamentais para a conclusão do inquérito. “Por não ter o nome na lista de passageiros, por medo, muitos ainda não vieram. Mas esperamos colher os testemunhos de todos”, observa.

 

defesa

 

O advogado dos organizadores do evento, Pedro Pereira, sinalizou que a família só irá se manifestar após a conclusão do inquérito policial. “Aguinaldo e Vanda são tão vítimas quanto as vítimas. Eles perderam família, amigos e pessoas queridas deles. O casal está sofrendo muito e, além disso, está preocupado com o resultado final”, afirma.

 

Pereira conta que na lista de convidados entregue pelo bufê para os responsáveis pela embarcação continha o nome de 80 pessoas. “Algumas substituições foram feitas nessa relação. Algumas previamente, com o conhecimento dos organizadores, outras na entrada da embarcação”, explica. De acordo com ele, não era de responsabilidade do bufê a conferência da capacidade de pessoas a bordo e, tampouco, checar a segurança do barco. “Eles contrataram o Imagination para fazer um evento de confraternização com seus funcionários, eles não têm capacidade técnica para aferir as condições do barco, ficando a cargo do piloto ou proprietário essa responsabilidade”, ressalta.

 

Para ele, se fosse constatado que o barco era instável, os organizadores não levariam os filhos para a festa. “Ninguém leva a família para uma situação de insegurança. Em momento algum eles tinham a percepção de que algo não estava bem, porque eles já haviam sido contratados para fazerem  outros eventos no barco”, conta.

 

Pereira explica que a ideia original do bufê era dar uma festa de reconhecimento ao trabalho dos funcionários. “Os que sempre serviam eram servidos durante a festa. O contrato com a embarcação foi de
R$ 1.600 para a festa chamada Lual dos Amigos, mas que, infelizmente, se transformou em fatalidade”, diz.

 

Quedas de energia

O advogado Pedro Pereira afirmou ainda que na semana anterior ao acidente, foi realizada uma festa de uma embaixada no barco Imagination, no Lago Paranoá. “A princípio estava tudo certo. Os picos de energia eram comuns por problemas no gerador, mas que logo eram resolvidos. Quanto ao alagamento, eles só tiveram o conhecimento minutos antes do barco afundar”, afirma.

 

Segundo ele, a parceria entre o bufê e o barco existia há algum tempo. “Não era só o Imagination que era atendido pelo bufê. Na semana passada, a mesma empresa estava no barco Happy Day – que hoje auxilia nos trabalhos de resgate. Quando alguém queria contratar o barco, era apresentado a lista de bufês para a escolha”, explica. Pereira ressaltou que os organizadores estão à disposição da polícia para ajudarem nas investigações.

 

mudanças

 

Marlon José de Almeida, dono do barco desde 2009,  realizou modificações na estrutura e mudou a inscrição do barco para fins turísticos. As Forças Armadas confirmaram que o barco estava com o Certificado de Segurança da Navegação (CSN) em dia, depois de uma vistoria em novembro de 2010.

 
Ezequiel Florêncio, advogado de  Almeida, foi procurado pela reportagem para falar sobre o caso, mas não retornou as ligações.

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