Jéssica Antunes
jessica.antunes@jornaldebrasilia.com.br
A última escola secundarista ocupada por estudantes que militam contra a reforma do Ensino Médio e a PEC dos gastos foi liberada na manhã desta sexta-feira (4). O Centro de Ensino Médio 2 do Gama aguardava apenas decisão judicial de reintegração de posse e os estudantes deixaram o local pacificamente com a chegada do Oficial de Justiça. Agora, apenas Institutos Federais de Brasília e a Universidade de Brasília mantém mobilizações estudantis.
Na porta da escola, estudantes contrários à ocupação se reuniram para acompanhar a retirada dos cerca de 80 manifestantes (45, segundo a PM). Temendo confusão entre as partes, um ônibus para conduzir os desocupantes foi solicitado. Nenhum manifestante quis falar com a imprensa.
“Somos a favor da pauta, mas não concordamos com o fechamento da escola. Isso afeta toda a comunidade, impede de ter aula, da preparação para os exames que vão acontecer”, explicou Nathália Nascimento, de 15 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio.
De acordo com ela, a decisão de ocupar a escola foi feita de forma arbitrária. “Não explicaram direito o que seria. As pessoas assinaram sem saber que estavam votando a favor e decretaram no olhômetro. Não teve apuração. Se querem democracia, estão fazendo errado”, criticou. A estudante ainda afirmou que tentativas de diálogo aconteceram, com sugestão de outras formas de protesto, mas negado pelos integrantes do ato.

Divulgação/PMDF
Desocupações
Ontem (3), outros três colégios foram desocupados. Pela manhã, o aparato da Polícia Militar esteve mobilizado em frente ao Centro Educacional 01 de Planaltina, onde os estudantes completaram 14 dias de ocupação. Com a chegada do Oficial de Justiça e negociação juntamente com o comandante regional do Batalhão Escolar, representantes da escola, OAB e do Conselho Tutelar, os 32 estudantes deixaram a instituição com mordaças pretas e se recusando a falar com a imprensa.
A saída pacífica dos alunos do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb) e do Centro Educacional Gisno foi negociada pelo Batalhão Escolar. Eles estavam acampados nas escolas há nove e sete dias, respectivamente.
UnB dividida
Dois campus da Universidade de Brasília (UnB) têm ocupações: Planaltina e Darcy Ribeiro. Nesses locais, cada centro acadêmico faz votações para determinar o posicionamento em relação aos atos. Estudantes de Direito, Arquivologia, Ciências da Informação, Agronomia, Administração, Odontologia, Enfermagem e Medicina, entre outros, se posicionaram contra as ocupações. Além da reitoria, os estudantes ocupam áreas como a administração, a Faculdade de Comunicação (FAC) e o Bloco de Salas de Aula Sul (BSA).
Ontem, em assembleia, os estudantes da unidade de Ceilândia rejeitaram a possibilidade de interditar áreas da instituição.
ENEM
O Ministério da Educação adiou as provas que seriam feitas nas cinco escolas que foram ocupadas no DF, afetando 3.178 alunos dos 167.821 inscritos. Os estudantes farão a prova no primeiro fim de semana de dezembro, data que coincide com os exames da 1ª e 2ª etapas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB. A nova prova deve gerar um gasto de R$ 12 milhões ao Governo Federal.
Entenda
Reforma do ensino médio: A Medida Provisória 746 estabelece que os currículos sejam organizados por áreas do conhecimento para priorizar a interdisciplinaridade e a aplicação dos conhecimentos em outras áreas com flexibilização do conteúdo. Outra medida prevista é que, nos próximos dez anos, 50% dos matriculados cumpram jornada escolar em tempo integral.
PEC dos gastos: Estabelece que as despesas da União, incluindo Saúde e Educação, só poderão crescer conforme a inflação do ano anterior por 20 anos. Ou seja, se entrar em vigor em 2017, o orçamento disponível para gastos será o mesmo de 2016, somada apenas à inflação do ano, sem mais investimento. No Senado, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 tramita como PEC 55.